( )

Nasce uma Estrela: um filme surpreendente

Surgindo como o 3° remake de uma obra esquecida pelo grande público, Nasce uma estrela não dava qualquer indicativo, em sua divulgação, de que seria um longa notável. Apresentando um enrendo aparentemente clichê, além de já conhecido, bem como um diretor e atriz principal de primeira viagem, as expectativas orbitaram muito mais os atores que o filme em si. Para minha agradável surpresa e excitação, a curiosidade em ver Lady Gaga atuando e o consagrado nome de Bradley Cooper em sua primeira direção foi recompensada, acima das expectativas inclusive!


O filme consegue nos translocar entre o lado "estrela" e humano dos personagens de forma muito sutil. A experiência e dor de um astro do Country Rock em plena decadência e os entraves de uma jovem cantora em ascensão são o eixo central da produção, mas a trama passa longe de se limitar a estes únicos temas. Alcoolismo, drogas, autoimagem, showbusiness são apenas algumas das temáticas que o filme aborda e nos leva a refletir. E, ao contrário do que acontece em muitas produções, essa união de enredos não só faz sentido, mas é primordial para que o filme seja tudo que é! Nada é gratuito.


A prova disso é o próprio relacionamento entre Jack e Ally que, desde o primeiro até o último ato, junto à trilha do filme (que com certeza estará em minha playlist), toma as decisões e rege as consequências da trama. Ou seja, não está ali apenas para tentar envolver e emocionar, de sorte que dá sequência à história.


O longa constrói de maneira tocante a aproximação e distanciamento do casal. Ao se conhecerem, a presença de Ally ao lado de Jackson parece ser um oxigênio para quem estava sufocado por vícios e solidão. A medida que Ally engrandece a sua carreira, o distanciamento entre os dois demonstra a fragilidade de seu companheiro. Cooper, de maneira singela, se usa de pequenos tiques, olhares distantes e sorrisos forçados para transmitir toda a carga carregada por seu personagem. Além disso, momentos tão intensos de angústia, dor e alegria conseguiram ser traduzidos por uma simples expressão, olhar e/ou enquadramento, graças ao seu louvável trabalho com a câmera.


Ousando um pouco, diria inclusive que a atuação de Cooper tem grande probabilidade de concorrer ao Oscar de melhor ator. Ambos os protagonistas estão muito bem na tela. Gaga consegue se despir de toda alegoria que carrega a sua imagem, aparece literalmente de cara limpa e se prova ainda mais versátil (honestamente, já estou curiosa para próxima atuação da Mommy Monster), mas Bradley se reinventa e consegue a façanha de contar a conturbada história do seu personagem sem que tudo soasse muito expositivo ou fugisse ao contexto central da história.


Nasce uma estrela, é, enfim, um filme absolutamente tocante. Antes e acima de qualquer elogio técnico, o filme é bom e não tem medo de reinventar sua história. Com um desenvolver único e um fim nada comercial, o longa nos levas as lágrimas, nos arrepia a cada acorde e se projeta para fora das telas. Definitivamente, é um filme que não termina com a subida dos créditos!


Topo