MATEUS PEDROSA
O projeto "Cidade da Copa", protagonista de
ilusão para muitos cidadãos pernambucanos, mostra-se um dos maiores, senão o
maior, fracassos do Estado de Pernambuco. O que a realidade nos mostra, de
maneira sofrível e preocupante, faz com que cada cidadão tenha dúvida se tal
projeto sequer ficou pronto no papel.
O que salta aos olhos é o monumento da Arena Pernambuco.
Chama atenção pela beleza e imponência da construção, mas na realidade, o
estádio é o maior símbolo da falta de planejamento. Do início à conclusão é um
caos. Vícios no processo licitatório (pouca concorrência), incompatibilidade
entre os valores anunciados e os, de fato, gastos na construção e mau
elaboração do contrato fizeram com que, entre outras coisas, o projeto
estivesse sob investigação da Polícia
Federal e com processos tramitando para julgamento do Tribunal de Contas. Além
disso, as empresas Odebrecht e Itaipava, participantes da parceria
Público-Privada, aproveitando brechas no contrato mal feito, rescindiram
unilateralmente, acabando com as esperanças de ganhos, tanto para o governo
quanto para os clubes.
A Arena, apesar de tantos gastos (os declarados e os
obscuros), sediou apenas 3 jogos da Copa das Confederações, 5 da Copa do Mundo
e tem uma média de apenas 34 jogos por ano no período de 2013 a 2018 (a maioria
esmagadora desses, com baixa renda). Com tantos desmantelos em todo o seu
processo, esperava-se que após o Mundial, o projeto tivesse condições de retornar
o investimento feito, ou ao menos, evitar prejuízos. Porém, de 2015 a 2018, o
Estado desembolsou a bagatela de 156 milhões de reais, que poderia ser
direcionada a outros ramos imprescindíveis à população pernambucana. Neste ano
que vai se encerrando, especificamente, o Estado saiu no déficit de 7,4 milhões
de reais. Vale lembrar que, até aqui, a Arena era considerada a casa do Náutico
e se desenrolaram vários acordos dos outros dois grandes de Pernambuco para
jogar em São Lourenço da Mata.
As perspectivas são ainda mais dramáticas para o futuro.
A Arena deixará de ser a casa do Náutico, ao menos formalmente, já que o
torcedor nunca se sentiu em casa efetivamente. Isso porque já foi festejada a
tão querida volta ao Estádio dos Aflitos e o Alvirrubro pernambucano não
planeja voltar à "Cidade da Copa", a não ser que haja alguma
circunstância excepcional. O Sport e o Santa também manifestaram seus
desconfortos em jogar no estádio e só vão jogar lá com uma condição:
possibilidade clara de lucro.
E assim se desenrola o roteiro deplorável do mau
planejamento, da maior significação do projeto para os desejos dos políticos do
que para os da população. Resta agora para o "elefante branco"
amistosos festivos, aulões para o vestibular, peladas, casamentos, shows,
dentre outros eventos pouco capazes de reverter os cofres do Estado. Portanto,
pouquíssimas são as perspectivas de retorno aos investimentos feitos, e quem
paga o preço mais uma vez, infelizmente, é o contribuinte pernambucano.