MATEUS PEDROSA
É inegável que a cultura brasileira tem raízes profundas que
fazem do futebol o esporte mais querido por nós. E essas raízes nos prendem de
uma forma que, muitas vezes, o gosto pelo futebol se transforma em bitola, prejudicando
nossa visão periférica para apreciar outros esportes. Apesar dessa hegemonia
futebolística, nos últimos anos, mais pelos resultados conquistados do que pela
razão cultural, o vôlei também tem ganhado protagonismo. Com exceções aqui e
acolá, arrisco dizer que apenas esses dois esportes fazem parte do espectro de
apreciação e de prática do brasileiro.
Várias são as razões para o "estreitamento
esportivo" aqui no Brasil. A cultura já mencionada é uma delas. Outra, é a
falta de incentivo das entidades governamentais para o oferecimento amplo de
mais esportes, como forma de melhoramento do aprendizado, da confraternização,
da saúde, enfim, como processo integrativo da educação. E, por fim, o filtro
que a mídia exerce para escolher somente os esportes que dão mais audiência.
Por exemplo, Fórmula 1 e MMA (nos últimos anos ganhou força) seriam barrados
pelos dois impedimentos anteriores (a cultura e a falta de incentivo das
entidades governamentais), mas não o são. Consequentemente, por terem mais
espaço na mídia, causam maior interesse e, se não forem possíveis de serem
praticados, pelo menos são mais apreciados.
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O esporte é muito diverso para se contentar apenas com duas
ou três modalidades. É necessário abrir a visão para outras oportunidades,
descobrir novos talentos (inclusive os próprios), sentir outras emoções
peculiares a esportes diferentes. Hoje, convido-lhes a dar uma chance ao tênis.
É bem verdade que esse esporte ascendeu após Guga Kuerten, mas ainda não ganhou
a dimensão que deveria ganhar.
Vale esclarecer: por ser um esporte altamente elitizado aqui
no Brasil, acredito que a prática encontre maiores empecilhos. Mas isso não
impede que se aprecie o esporte. E nada melhor que conhecê-lo nesta semana, em
que acontece o US OPEN (um dos 4
maiores eventos de tênis no ano) que
já se encontra nas oitavas de finais, fase esta que é longe o suficiente para
selecionar os melhores do mundo. Nela teremos o grande prazer de assistir a 4
lendas ainda em atividade no tênis: Rafael Nadal, Roger Federer, Novak Djokovic
e Serena Williams. Nadal (conhecido como El
Toro) consegue aliar potência, garra, força psicológica e física. Federer,
talvez o melhor de todos os tempos, consegue adaptar sua refinada técnica a
qualquer condição do jogo, o que faz com que ele já aos 37 anos permaneça no
topo, e sem previsões para saída. Não à toa, quando perguntado qual seria o
jogador perfeito, André Agassi (outra lenda do tênis, porém já aposentado)
respondeu: o que tiver o físico de Nadal e a técnica de Federer. Djokovic está
voltando a sua boa fase depois de tanto tempo na amargura das oscilações
técnicas e psicológicas que culminaram algumas derrotas. O próprio chegou a
afirmar que voltou ao seu melhor nível técnico no Aberto dos Estados Unidos. E,
Serena Williams, mulher que personifica força e agudez dentro de quadra, tenta
seu primeiro título após ser mãe.