( Partida ficou no 0 a 0 no Estádio Almeidão, em João Pessoa-PB (Foto: Fox Sports / Divulgação) )

Estreia do Santa Cruz na Copa do Nordeste deixou a desejar, analisa Rafael Pereira

Estreia oficial do Santa Cruz na temporada, técnico novo, muitos jogadores desconhecidos da torcida. Elementos que amenizam e podem até mesmo justificar a atuação do time, afinal por mais que a partida tenha deixado a desejar na parte técnica o empate fora contra o Botafogo-PB pode ser considerado um resultado dentro do esperado, levando em consideração também o histórico de equilíbrio máximo entre as equipes (em 10 confrontos, 3 vitórias para cada e 4 empates).


Analisando mais a fundo o jogo, é possível perceber o quanto faltou técnica aos atletas. Poderíamos fazer uma relação considerável de situações que poderiam mudar a história do embate caso o nível de alguns jogadores não estivesse tão abaixo das expectativas. Durante o 1º tempo principalmente, quando o fôlego era maior, as duas equipes se entregaram bastante, muita demonstração de raça e motivação. Mas, se fosse apenas isso, todos os elencos seriam compostos por seus torcedores.


Pois é, esse primeiro tempo foi difícil de assistir, escanteios cobrados direto pra fora, falta perigosíssima que o Hericlis desperdiçou, uma das piores cobranças de falta que já vi naquela distância, sem falar que ele ainda teve uma ótima chance para o Santa em uma jogada pela direita mas quando entrou na área esqueceu a bola e passou lotado mesmo estando com ela sobre seu domínio.


A jogada que mais animou os torcedores tricolores foi uma boa enfiada de bola de Marcos Martins para Elias, que saiu na entrada da área e chutou de canhota, ele não acertou a bola direito, o arremate saiu torto e não teria o caminho do gol, mas a bola desviou no defensor do Belo e obrigou o goleiro Saulo a fazer sua principal e única intervenção relevante no jogo.


No segundo tempo, a partida foi mais aberta, as duas equipes tiveram chances claras mas não alcançaram o momento mais esperado de uma partida de futebol, o gol. Os primeiros 15 minutos foram favoráveis aos pernambucanos, com três boas oportunidades, duas com Augusto de cabeça. Na primeira, Elias cruzou uma bola muito alta e ele conseguiu ganhar do zagueiro na disputa por cima, na segunda, ele estava sozinho, na linha da pequena área na frente do gol depois de um belo cruzamento de Marcos Martins pela direita e mandou pra fora. A terceira chance desperdiçada foi um lance de pura irresponsabilidade, a bola estava chegando em Elias, dentro da grande área, ele tinha mais dois companheiros de time ao seu lado e apenas um marcador botafoguense para os três, quando a bola chegou ele tentou uma bicicleta, que nem tomou a direção da barra, a bola subiu e não trouxe perigo, mais uma oportunidade de gol que o Elias não consegue nem finalizar como um jogador profissional.


Apesar de ter enfatizado os lances ofensivos do Santa Cruz, foram os paraibanos que chegaram com real perigo, aos 24 minutos, a melhor jogada da partida, Marcos Aurélio dá um passe nas costas da defesa para Rafael Ibiapino, ele esperou a chegada do Clayton e rolou para o camisa 7 soltar o pé direito em um ótimo chute cruzado no ângulo, azar do Botafogo que o goleiro Ricardo Ernesto foi buscar em uma grande defesa mandando para escanteio.


A partir daí só dava Belo, principalmente após a expulsão boba de Neto Costa, os dois amarelos foram duas faltas desnecessárias, a segunda inclusive em um carrinho praticamente na grande área do adversário. Problema sério para Leston Júnior que no próximo jogo não terá o titular, Pipico por conta de lesão nem o seu reserva, Neto Costa que cumprirá suspensão.


Voltando aos lances finais, quando a partida ganhou um pouco de emoção, aos 39 minutos Marcos Aurélio teve uma chance na meia lua, mas finalizou para fora. Aos 46, Marcos Aurélio fez jogada pela esquerda e rolou para trás, Rogério soltou uma bomba perigosíssima, mas Ricardo Ernesto estava lá mais uma vez para espalmar à linha de fundo, os paraibanos tiveram pressa para criar outras oportunidades mas o Santa Cruz conseguiu suportar bem e “gastar o tempo”.


Como ponto positivo da partida destacaria a defesa coral, o Botafogo não saiu nenhuma vez na cara do gol, conseguiu fechar bem os espaços; a prova disso é que as chances do Botafogo foram em arremates de longe, com exceção do chute de Clayton, em que a defesa também estava bem posicionada mas com a qualidade no passe do Marcos Aurélio a linha foi quebrada. Durante os 90 minutos foi a única vez em que isso ocorreu, o Leston Júnior ainda terá muito trabalho mas começou certo, organizando a defesa, setor que toda equipe competitiva precisa ter bem estruturado.


O desafio do treinador será a parte ofensiva, caso Pipico estivesse em campo talvez ele aproveitasse uma das chances de Augusto, Elias ou Hericlis (para mim o pior em campo). Até porque as chances foram criadas, principalmente pelo flanco direito quando Marcos Martins (meu destaque do jogo ao lado de Ricardo Ernesto) participava das jogadas ofensivas, como a bola enfiada para Elias no primeiro tempo e o cruzamento preciso para Augusto no início do segundo.


Na próxima rodada, o tricolor terá uma tarefa ainda mais complicada, o Bahia que fez excelente temporada em 2018 e se reforçou bem para a série A 2019.


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