Com certeza, a torcida do Santa Cruz esperava uma temporada muito melhor do que essa de 2018. Mais uma vez o clube enfrentou problemas financeiros, trouxe um resultado dentro de campo inferior comparando com os últimos anos e alguns deslizes da diretoria que serviram de gozação e zombaria.
Focando nos resultados do time no gramado, a equipe não tinha um futebol convincente, que passava uma segurança ao torcedor, uma proposta de jogo que fosse eficaz, mesmo que não fosse plástica ou de encher os olhos. Apesar do time ter muitos pontos de melhoria, conseguiu bons resultados no início da Copa do Nordeste, acabou a fase de grupos na liderança do seu grupo de forma invicta, com três vitórias e três empates. No entanto, os bons resultados na competição acabaram na primeira fase, haja vista que o clube passou vexame diante do ABC, nas quartas de final, e perdeu os dois jogos, tomou 4x1 em casa e se despediu do torneio revoltando a torcida.
Simultaneamente, o clube disputava o Campeonato Pernambucano, com seu regulamento questionável, em que 8 clubes se classificam entre 11, e os tricolores conseguiram sua vaga nas quartas de final, mas como sua campanha foi muito ruim para um clube do seu tamanho (6ª posição), um clube acostumado a disputar o título, aquele que mais vezes conquistou o pernambucano na atual década caiu nas quartas de final, tendo o Sport (3ª posição) como adversário, mais uma decepção para a torcida: 3 a 0 para o Leão na Ilha do Retiro.
As frustrações futebolísticas não pararam por aí, a eliminação para o Fluminense de Feira por 2x0, apenas o 118º no ranking da CBF, enquanto o tricolor é o 25º, o prejuízo foi além da parte técnica e refletiu também na falta das premiações das fases seguintes que poderia ter contribuído bastante para o financeiro do clube, uma oportunidade de receita que o clube não teve novamente e fez falta no decorrer da temporada.
Por fim, o Campeonato Brasileiro, com mais uma série C para a história do clube, mas, dessa vez, para esquecer, não teve um desfecho sequer próximo do de 2013 quando ficou com o título. O clube até conseguiu melhorar seus resultados após a chegada do técnico Roberto Fernandes, campeão do estadual pelo rival Náutico, no entanto, o futebol jogado ainda era pobre e o repertório para criação de jogadas era muito pequeno, talvez a maior deficiência da equipe neste ano. Assim como no Pernambucano e Nordestão, o clube ficou nas quartas de final; no primeiro jogo, os 49 mil presentes incentivaram muito a equipe coral contra o poderoso Operário, do Paraná, e o Santa Cruz venceu por 1x0. Apesar do placar positivo, o sentimento visto no estádio era de alívio pela vitória, mas também de tensão pelo futebol jogado pela equipe do Operário no confronto e durante toda a competição, em que foi superior ao do tricolor. Na volta, os paranaenses fizeram 3x0 com autoridade e garantiram vaga na série B.
Pontos e contrapontos do ano tricolor
Júnior Rocha. Paulo César Gusmão. Roberto Fernandes. Três técnicos em uma mesma temporada, todos bastante diferentes. Júnior Rocha, com menos tempo de carreira, uma aposta da diretoria. PC Gusmão, conhecido nacionalmente, acumula passagens por grandes clubes e currículo pesado. Roberto Fernandes um técnico marcado pelo uso do motivacional para extrair o máximo de seus atletas. A dúvida que fica é: qual o critério utilizado para a contratação de um treinador para o Santa Cruz?
A Diretoria também foi ingênua quando divulgou um projeto muito precário de arrecadação por venda de ovos, considero toda possibilidade de receita que seja lícita válida. Caso o clube se estruturasse quanto a galinheiro, quantos ovos cada galinha é capaz de colocar por determinado período de tempo, meios de distribuição e pontos de venda mapeados para conseguir vender ovos em larga escala e ajudar suas finanças, ótimo, os outros podem zoar o quanto quiserem, pois o clube estaria arrecadando. Mas como todos sabem, não foi o caso, assim como a proposta do “Bolo de Rolo”, foi um fiasco e motivo de riso para torcedores de Sport e Náutico.
Além disso, destacaria a desorganização nas contratações, pois o clube trouxe cerca de 40 jogadores nesta temporada, uma quantidade absolutamente alta e, assim como a escolha dos técnicos, questiona o planejamento do futebol do clube.
Mas a diretoria tricolor também teve seus méritos, buscou se tornar mais acessível aos torcedores via rede social, colhendo feedbacks e desejos de seus torcedores, dos sócios principalmente. Também fez um esforço para a manutenção do gramado do Arruda, que tem sido alvo de críticas nos últimos anos.
Analisando melhor o desempenho do time em campo, já falei que o futebol foi muito inferior ao que um clube como o Santa Cruz merece, uma dificuldade muito grande para criar situações claras de gol, algo que pode ter refletido nas dores de cabeça que a torcida teve com Robert e Vinícius, por exemplo. Por outro lado, o atacante Pipico fez sucesso com a torcida coral, principalmente no final da temporada. Além dele destacaria o ano de Robinho, talvez jogador que mais entregou resultado, e de Danny Morais, que não agregou somente com experiência de futebol e de clube mas também com boas partidas durante o ano.