Silente desde a
desclassificação do Brasil no Mundial (06 de julho), Neymar, enfim, apareceu
para se comunicar oficialmente com a imprensa no evento do Instituto Neymar
Jr., na última quinta (19). Após quase duas semanas, o jogador, de fato, comunicou-se
com a nação brasileira.
Sim, de fato, porque, antes, o camisa 10 da seleção brasileira apenas tinha se pronunciado através do
Instagram. A princípio, não teria problema. A questão é que em tal rede social
o campo de debate é restrito, uma vez que possibilita a limitação dos
seguidores que podem comentar nas publicações do atleta. Ademais, de maneira
óbvia, mas peculiar, a rede social apenas permite como reação aos posts, “a curtida”, o que dificulta a
manifestação de críticas, pois além de permitir a filtragem dos que podem
comentar, também inexiste um meio para mostrar insatisfação diante das
publicações. Portanto, Neymar só “deu a cara à tapa” depois de quase duas longas
semanas após a derrota do Brasil.
Se há dúvida que
Neymar foi, e é, imaturo, essa dúvida apenas paira sobre as cabeças do estafe
do jogador e do próprio. Quanto à imaturidade do craque ao surgir no futebol
brasileiro, não há incerteza, até porque ela era natural e compatível com a sua
idade. Porém, após quase 9 temporadas no profissional, Neymar insiste em agir
como adolescente, ou melhor, como menino. Então, após a perda na Copa do Mundo,
após a viralização de “memes”, após especulações de mercado, aguardou-se o
pronunciamento do atacante do PSG e da seleção brasileira, para esclarecer
algumas questões, mas também para sabermos ou, talvez, evidenciarmos se Neymar
continua menino ou se, enfim, tornou-se adulto.
Antes de falar
especificamente das declarações de Neymar, é necessário fazer uma ponderação. É
claro que o craque não jogou o melhor do seu futebol na Copa do Mundo, mas é
bom lembrarmos que ele voltava de lesão e, para quem retorna de lesão e realiza
apenas dois jogos (amistosos contra Croácia e Áustria), definitivamente, não é
fácil. E, levando em consideração tais circunstâncias, a atuação foi de
razoável para boa. É relevante essa reflexão porque as críticas principais não
recaíram, e nem poderiam, sobre as atuações do jogador, mas sim sobre as
simulações, os exageros, o anti-jogo, as tentativas de trapaça dentro de campo,
e as reações dentro e fora das quatro linhas.
Que o potencial
de Neymar é de gênio, ninguém duvida. Pode-se até falar que há traços de
divindade. O que falta mesmo no jogador são traços de humanidade. Explico-lhes
os porquês. Nas suas polêmicas declarações, o atacante se mostrou, em primeiro
lugar, bastante superficial, com falas pouco esclarecedoras e aprofundadas.
Além disso, ressaltou-se a arrogância e a soberba do jogador, uma vez que em
nenhum momento ele se utilizou das críticas de maneira reflexiva para, no
futuro, apresentar melhoras diante das falhas cometidas. Como exemplos, o
atleta utilizou-se de falas como “pegaram no pé de quem sofre falta, e não de
quem faz”, “sou criticado por tudo, quando falo ou deixo de falar”, “Depois que
perde, as coisas caem nas minhas costas, mas minhas costas são largas”, “Essa encheção de saco não é mais pra mim”.
Pois é, Neymar, sinto informar-lhe, mas você é humano e tem defeito, sim. Um
dentre vários outros, é a falta de humildade para reconhecer os erros. Afora
isso, outro fator que contribui para a crise de imagem do jogador, é o seu mau
assessoramento (que insiste em blindá-lo e em mimá-lo), principalmente pelo seu
pai, que chegou a dizer que a imagem do jogador chega a sair fortalecida após a
copa e que não há motivos para mudar. Das duas uma, ou Neymar e sua equipe são
alienados o bastante para acharem que nada está errado, ou falta modéstia.
Prefiro ficar com a segunda opção. E são por essas e, dentre outras razões, que
Neymar continua fazendo jus ao apelido de “menino Ney”.