JOSÉ MATHEUS SANTOS
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Quatro meses de salários atrasados, inclusive o 13º salário não sendo pago, atletas saindo por não pagamento via Justiça, funcionários também sem receber em dia e patrimônio deteriorado. Esse é apenas um trecho que resume o atual quadro do Sport Club do Recife no momento, após a gestão desastrosa do presidente Arnaldo Barros, que deixa o cargo no fim do mês, de forma melancólica. Agora, o presidente eleito Milton Bivar terá um desafio diferente do encontrado em 2007, quando assumiu o clube rubro-negro pela primeira vez, e totalmente negativo.
Após a vitória dessa terça, Bivar já anunciou o nome do novo técnico leonino: Milton Cruz. Ex-assistente técnico do São Paulo, Cruz teve passagem regular pelo Náutico em 2017, tendo destaque no início no estadual, mas, já no fim da passagem, teve dificuldades por conta das dificuldades financeiras do clube e também para propor o jogo, visto que a equipe alvirrubra, na época,um plantel limitado. Fatores externos e de dentro do campo influenciaram. Neste ano de 2018, Milton Cruz passou pelo Figueirense e venceu o campeonato catarinense pelo clube. Tirou a equipe de baixo da tabela na primeira fase, deixou na segunda posição e terminou como campeão, na final contra a Chapecoense, time de Série A, enquanto o Figueira está na B. No elenco vencedor, estava Jorge Henrique, agora contratado pelo Náutico.
Além do anúncio do novo comandante do time de futebol, Milton Bivar anunciou a permanência do atual executivo de futebol, Klaus Câmara, uma das poucas raridades que deram certo na “gestão” Arnaldo Barros. Ao lado dele, estarão Francisco Guerra, Manuel Nelo, Julio Neto e Wanderson Lacerda, Este último já saiu derrotado das eleições presidenciais leoninas nas últimas duas vezes em que disputou, e já esperada a participação na nova gestão. Milton Bivar apenas não queria anunciar antes. Nos bastidores, fala-se que Wanderson “tiraria votos”. Porém, com a larga vantagem exposta pelas urnas ontem, é difícil que essa tese tenha consistência.
Milton Bivar, eleito, fez um discurso essencial para o momento do clube: humildade e pés no chão. “Não vou prometer que o Sport vai ser campeão de Libertadores e outras grandezas, mas vamos fazer muito esforço e dentro dos nossos limites”, destacou Milton e, ao mesmo tempo, fazendo um contraponto a Arnaldo Barros, que outrora, na eleição passada, disse querer “que o Brasil se curve ao Sport”, querendo “ir para a briga com Flamengo e Corinthians”. Sonhar é preciso… Mas essa mania de grandeza exagerada é algo que precisa ser controlado no Leão, pois há resquícios disso agora mesmo.
É importante também que haja aproximação com a torcida do Sport durante o biênio 2019/2020. Aliás, os torcedores se mostraram verdadeiros apaixonados quando estiveram nos jogos neste ano lotando a Ilha do Retiro, nas partidas decisivas, mesmo sabendo do caos instaurado na “Ilha dos Problemas”. No entanto, outra raridade que deu certo no Sport recentemente foi o rompimento institucional pelo ex-presidente João Humberto Martorelli com a Torcida Organizada Jovem. Não existe um clube abrigar e receber posses da Jovem dentro de sua sede, com vários casos de ameaça e também inúmeras suposições de envolvimento com crimes de integrantes, inclusive violência pré e pós-jogos, o que assusta a cidade em dias de partidas acaloradas. Ontem, na comemoração após a vitória de Bivar, a Jovem estava lá. Parecia se reintegrar ao Sport, como um filho no berço da gestão. Portanto, é importante que Milton tome um posicionamento claro: pró ou contra a torcida. Se for a favor, que encaminhe para uma Ilha cheia de problemas. Como está.
EM TEMPO: estranho o silêncio do ex-presidente Homero Lacerda nesta eleição. Pouco falou e tampouco falou na campanha quem tinha o seu apoio. A ver o comportamento a posteriori.