MATEUS PEDROSA
Confesso que, por questões diversas, fazia algum tempo que
não assistia aos jogos do Sport. Ouvia ruídos por todos os cantos do Recife
que, após a Copa do Mundo, as atuações
do time eram desastrosas. Então, nesse domingo (05), resolvi ver
friamente a atuação do Sport frente à Chapecoense, time contra o qual o Leão
tinha 100% de aproveitamento quando jogava na Ilha do Retiro.
Que o rubro-negro pernambucano não tinha qualidade técnica,
era previsível. Inclusive, raras são as vezes em que o time do Sport passa uma
temporada "arrumado". Mas, o que instiga o torcedor, sobretudo, é a
raça, a gana, peculiares em cada jogador, honrando o peso do manto vermelho e
preto a cada segundo. E, quando faltam fundamentos técnicos e vontade de
vencer, o resultado é inevitável e implacável. Pois é, o Sport atualmente é um
time apático, inerte, sonolento, negligente, omisso, hipossuficiente. Adjetivos
dessa qualidade não faltam.
Claro que os jogadores e o técnico não podem carregar essa culpa sozinhos. A situação calamitosa que passa o Sport é fruto, principalmente, da diretoria bagunçada que administra o clube. Salários atrasados, dívidas aumentando, principais jogadores vendidos e nada de reposição a altura são as chaves do insucesso rubro-negro.
Magrão é, indubitavelmente, o melhor jogador do time. E,
quando o goleiro é o "craque", certamente tem muita coisa errada. A
dupla de zaga, principalmente Ronaldo Alves, apesar de um físico notório,
dentro de campo, apresenta-se de forma impotente. A dupla de laterais tem seus
lampejos de boas atuações. Sander é um dos mais esforçados, é o jogador que
carrega consigo aquela raça que o torcedor gosta, apesar das limitações
técnicas. Cláudio Winck acerta uns passes aqui e acolá, mas na marcação e no
domínio de bola deixa muito a desejar. Deivid de volante é um "Deus nos
acuda", além de não ter qualidade técnica para ajudar na armação do time,
é franzino e lento para dar o combate na marcação. Em resumo, é inútil para o
time. Felipe Bastos ainda se salva, tem qualidade no passe, marca bem, mas não
pode ter 2 metros de espaço que quer chutar, não importa de onde seja. Muitas
vezes, toma a decisão errada. Gabriel, junto a Magrão, é o jogador que dá gosto
em ver jogar. Ao menos ontem, era o único capaz de refinar o meio de campo,
sempre com toques precisos, dribles cirúrgicos, bons chutes de fora da área e o
mais importante, vontade de vencer. Marlone é o símbolo da escassez de
qualidade técnica no Sport. Um jogador que trota em campo, esconde-se a todo
tempo, e raramente acerta um cruzamento, definitivamente não merece a 10. Andrigo
não sabe se conduz a bola ou se tropeça nela. Carlos Henrique é outro que sobrevive
à bagunça, tem garra, no seu papel de centroavante é competente, mas num time
em que os pontas não tem coragem, ele tem que sair para buscar o jogo e acaba
assumindo o ônus de sair da sua posição. Mas, em suma, é um jogador produtivo
para o time.
É por causa desse time titular, extremamente confuso, pelo
menos contra a Chape, que o Sport conseguiu arrancar um empate, dentro de casa,
com gosto de vitória. Lamento por essa situação, mas nos próximos jogos, contra
São Paulo e Santos, será difícil fugir da zona de rebaixamento, ainda no primeiro
turno. Remédio para tantos defeitos, não sei se é possível. Mas uma mudança de
postura dentro de campo é o mínimo!