( Rafael Vieira/ Código 19/ Gazeta Press )

Sport: um clube apático e desorganizado, dentro e fora de campo

MATEUS PEDROSA

Confesso que, por questões diversas, fazia algum tempo que não assistia aos jogos do Sport. Ouvia ruídos por todos os cantos do Recife que, após a Copa do Mundo, as atuações  do time eram desastrosas. Então, nesse domingo (05), resolvi ver friamente a atuação do Sport frente à Chapecoense, time contra o qual o Leão tinha 100% de aproveitamento quando jogava na Ilha do Retiro.

Que o rubro-negro pernambucano não tinha qualidade técnica, era previsível. Inclusive, raras são as vezes em que o time do Sport passa uma temporada "arrumado". Mas, o que instiga o torcedor, sobretudo, é a raça, a gana, peculiares em cada jogador, honrando o peso do manto vermelho e preto a cada segundo. E, quando faltam fundamentos técnicos e vontade de vencer, o resultado é inevitável e implacável. Pois é, o Sport atualmente é um time apático, inerte, sonolento, negligente, omisso, hipossuficiente. Adjetivos dessa qualidade não faltam.

Claro que os jogadores e o técnico não podem carregar essa culpa sozinhos. A situação calamitosa que passa o Sport é fruto, principalmente, da diretoria bagunçada que administra o clube. Salários atrasados, dívidas aumentando, principais jogadores vendidos e nada de reposição a altura são as chaves do insucesso rubro-negro.

Magrão é, indubitavelmente, o melhor jogador do time. E, quando o goleiro é o "craque", certamente tem muita coisa errada. A dupla de zaga, principalmente Ronaldo Alves, apesar de um físico notório, dentro de campo, apresenta-se de forma impotente. A dupla de laterais tem seus lampejos de boas atuações. Sander é um dos mais esforçados, é o jogador que carrega consigo aquela raça que o torcedor gosta, apesar das limitações técnicas. Cláudio Winck acerta uns passes aqui e acolá, mas na marcação e no domínio de bola deixa muito a desejar. Deivid de volante é um "Deus nos acuda", além de não ter qualidade técnica para ajudar na armação do time, é franzino e lento para dar o combate na marcação. Em resumo, é inútil para o time. Felipe Bastos ainda se salva, tem qualidade no passe, marca bem, mas não pode ter 2 metros de espaço que quer chutar, não importa de onde seja. Muitas vezes, toma a decisão errada. Gabriel, junto a Magrão, é o jogador que dá gosto em ver jogar. Ao menos ontem, era o único capaz de refinar o meio de campo, sempre com toques precisos, dribles cirúrgicos, bons chutes de fora da área e o mais importante, vontade de vencer. Marlone é o símbolo da escassez de qualidade técnica no Sport. Um jogador que trota em campo, esconde-se a todo tempo, e raramente acerta um cruzamento, definitivamente não merece a 10. Andrigo não sabe se conduz a bola ou se tropeça nela. Carlos Henrique é outro que sobrevive à bagunça, tem garra, no seu papel de centroavante é competente, mas num time em que os pontas não tem coragem, ele tem que sair para buscar o jogo e acaba assumindo o ônus de sair da sua posição. Mas, em suma, é um jogador produtivo para o time.

É por causa desse time titular, extremamente confuso, pelo menos contra a Chape, que o Sport conseguiu arrancar um empate, dentro de casa, com gosto de vitória. Lamento por essa situação, mas nos próximos jogos, contra São Paulo e Santos, será difícil fugir da zona de rebaixamento, ainda no primeiro turno. Remédio para tantos defeitos, não sei se é possível. Mas uma mudança de postura dentro de campo é o mínimo!

Topo