JOSÉ MATHEUS SANTOS
Nesta quarta-feira (29), estava em minha residência em repouso e na expectativa de acompanhar a entrevista do presidente Michel Temer à Rádio Jornal para saber o que o mandatário tem a dizer a nação em um momento que apenas “cumpre tabela” no Palácio do Planalto e é rejeitado por diversos aliados. O ápice foi quando Temer se reportou ao governador Paulo Câmara quase como um amigo e disse que o socialista apoiou o seu governo e ajudou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff sem que o próprio Temer fizesse algum pedido a Paulo e seu grupo político. Na época, como se sabe, Paulo Câmara e Geraldo Júlio deferiam palavras contra Dilma no seguinte estilo: “temos que tirar essa mulher do poder, o Brasil não aguenta mais”. Eles reclamavam de recursos e diziam que o Brasil precisava de um novo tempo, entenda-se um novo presidente, e liberaram secretários e orientaram aliados a votar a favor da destituição da petista. Não fosse o PSB, não haveria impeachment, como sabem muito bem os que foram contrários e favoráveis a tal situação. Logo em seguida à afirmação do presidente Temer, o governador de Pernambuco pediu o direito de resposta na emissora de rádio e afirmou que o presidente se rebaixou a uma postura pequena e articulada com aliados da “Turma do Temer”. A eleição pernambucana se mostra em um momento cômico e quase inacreditável que é ficar debatendo quem é favor ou contra Temer, óbvio que isso é importante para se observar a coerência política, mas alguns tentam o tempo todo desvirtuar o debate sobre os inúmeros problemas do Estado para nacionalizar a eleição de um dos estados mais importantes do país e com história política respeitada por diversos quadros e correntes. Na manhã desta quinta (30), aconteceu algo quase que semelhante: o prefeito do Recife Geraldo Júlio (PSB), aliado de Paulo, voltou a atacar Temer e disse que o palanque o presidente é “pilotado por Armando aqui no estado”, em clara resposta à fala do candidato do PTB que ontem considerou as falas de Temer “verdadeiras” e que “não via novidade” no que o presidente da República declarou sobre Paulo tê-lo apoiado. O que aconteceu? O deputado federal Daniel Coelho (PPS), um dos coordenadores da campanha de Armando, pediu direito de resposta: “é uma tentativa desesperada da campanha de Paulo, que faz um governo fraco e péssimo”. Daniel enfatizou que Armando votou contra o impeachment, em posição diferente do próprio, inclusive, mas ressaltou “a coerência política” de ambos diante das posições tomadas. E esse princípio é algo fundamental. Não dá para apagar a história em simples discursos eleitorais e ficar reduzindo a eleição para o Governo do Estado a quem apoiou ou não Temer, a não ser que se debata os problemas de Pernambuco, o que alguns evitam fazer. Conclusões devem ser feitas por você, leitor/a.