JOSÉ MATHEUS SANTOS
As pesquisas para presidente só devem mostrar um cenário mais sólido daqui a duas semanas, ou seja, a apenas 15 dias do processo eleitoral, por dois motivos: o primeiro deles é a confirmação definitiva de Fernando Haddad como candidato do PT e o segundo é o efeito disso nas inserções e propagandas dos candidatos no rádio e na TV. Analisemos os números dos cinco candidatos com mais chances de chegar ao Palácio do Planalto.
O líder no cenário de 1º turno, Jair Bolsonaro, cresceu dentro da margem de erro, de 20 para 22%. O candidato do PSL tem uma dificuldade que é a alta rejeição (44%), algo que preocupa correligionários nos bastidores aflitos com o segundo turno e uma questão que tende a se consolidar, até porque o candidato com maior tempo de TV, Geraldo Alckmin (PSDB), tem feito sucessivos ataques a campanha de Bolsonaro, sendo a mais forte delas a do vídeo no qual o deputado aparece xingando mulheres. Inclusive, no eleitorado feminino Bolsonaro tem 16%, enquanto, entre os homens, possui 28%, em nítida disparidade e dificuldade dele em penetrar entre as mulheres. No cenário geral, Jair não consegue ultrapassar 25%, mesmo assim se credencia no 2º turno, até porque a maioria de seus eleitores é fiel. Se tiver que mudar de voto, é em torno de ¼ do eleitorado dele, e olhe lá, mas Alckmin trabalha visando essa parcela. Nos cenários de segundo turno do Ibope, Bolsonaro vence apenas Fernando Haddad (PT) em disputa apertadíssima: 37% x 36%.
Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) se mostram empatados com 12%. O pedetista está em ascensão por conta da ausência do ex-presidente Lula, e Ciro herda parte do espólio eleitoral do petista, principalmente no Nordeste, onde está com 20% dos votos no total, ou seja, o candidato tende a se firmar na região. Ciro também se beneficiou após a entrevista dada na semana passada ao Jornal Nacional, pois a dele, segundo o índice Kantar do Ibope foi a que mais teve audiência. No horário eleitoral, a estratégia de marketing está voltada para o programa “Nome Limpo”, que promete ajudar os brasileiros endividados a tirarem o nome do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). O estafe de Ciro por enquanto segue tranquilo porque ele está domando a famosa língua ferina dele, não se sabe se vai conseguir ser assim até o fim. É imprevisível.
A candidata Marina Silva (Rede) é a maior beneficiada em números fixos (porque na proporção o mais beneficiado é Ciro) da ausência de Lula. Ela certamente vai figurar entre as primeiras colocações no eleitorado feminino e evangélico. Nesse momento, a maior preocupação do estafe da ex-ministra do Meio Ambiente é que ela se perca em debates na reta final e mostre dificuldades em se posicionar em temas polêmicos para o eleitor. Por enquanto, a postulante da Rede segue bem vista. Marina deve surfar, inclusive, no espaço livre no eleitorado feminino.
O que já era esperado pelos analistas mais racionais e menos emocionais aconteceu: a subida de Geraldo Alckmin. Óbvio que ele tende a deixar a eleição ainda mais embolada porque já tem 9%, o que há um mês chegava a 4%. Mas o sistema de campanhas no Brasil já mostra que o tempo de propaganda no rádio e na TV é de suprema importância e, com quase metade do guia, o candidato do PSDB praticamente faz o que quer. Alckmin deve, nos próximos programas, avançar para cima do PT também, e não apenas de Bolsonaro, porque existem muitos eleitores que não gostam dos petistas mas também não pretendem votar no representante da extrema-direita brasileira. É nesse sentido que, se pensarem bem, os peesedebistas devem fazer com a equipe de marketing.
O dilema ainda vigente para o eleitor é sobre o PT. Também repito o que já disse sobre Geraldo Alckmin há meses e agora reafirmo para Fernando Haddad, que deve ser oficializado como substituto de Lula na cabeça de chapa no próximo dia 11, data limite dada pelo Tribunal Superior Eleitoral para a sigla indicar o novo postulante à Presidência. Haddad tem 6% e ficará, no mínimo, com 10%, embolando ainda mais o jogo e com risco de perda de eleitores tanto em Ciro Gomes como em Marina Silva. Por isso, o ideal é ter cautela, afinal, nem todos os eleitores votam em quem Lula mandar principalmente por ele estar preso. Uma coisa é Lula no palanque e nas ruas pedindo voto, como foi nas últimas duas eleições com Dilma, outra é Lula preso em Curitiba e apenas enviando cartas. Mesmo assim, é óbvio que haverá transferência de votos, por isso, o ex-prefeito de São Paulo vai pontuar pelo menos com 10%. É bom ter cuidado.
OUTROS DESTAQUES
Entre os que tem chances quase nulas de comandar o país a partir do próximo ano, Álvaro Dias (Podemos) e João Amoedo (Novo) se destacam com 3%. Dias segue forte no Sul e não atinge eleitores tão bem no Nordeste e Norte do país. Precisa, inclusive, mudar parte do discurso. Ficar falando só de corrupção não dá. João Amôedo pontua bem com 3% agradando a eleitores jovens, de alta renda e do Sul e Sudeste, maioria de seu eleitorado, conforme mostram os números. A linguagem é que precisa ser mais acessível: ele, em questões econômicas, fala, muitas vezes, embora pareça bem intencionado ao explicar, palavras de difíceis compreensão. É preciso falar também a língua do povo.
Henrique Meirelles (MDB) até dobrou as intenções de voto: saiu de 1 ponto para 2 pontos percentuais. Certamente porque explorou o fato de ter sido presidente do Banco Central no governo Lula. O candidato se esconde do presidente Temer, de quem foi ministro da Fazenda, até quando diz que ocupou tal cargo. Para Lula, “foi Lula quem chamou”. Quando vai falar do governo Temer, afirma: “Me chamaram para consertar os erros da Dilma”. Chamaram é sujeito indeterminado. Por qual motivo não determiná-lo?