( Câmara dos Deputados )

Agora eleito, Bolsonaro resgata ideais de campanha para indiciar os rumos do Brasil

MANOEL NETO Uma tensa campanha eleitoral, finalmente, chegou ao fim. Jair Bolsonaro, candidato do PSL, foi eleito Presidente e será o responsável por administrar o Brasil pelos próximos 4 anos e ensaiou um discurso, em sua casa, na Barra da Tijuca, após a confirmação de sua eleição pelo TSE


A tônica do pronunciamento de Bolsonaro foi semelhante a sua postura ao longo da campanha. Embalado por um forte ideal anti-esquerda, o deputado pautou sua fala justamente creditando a vitória àquilo que seria uma missão divina: tirar o país das garras do “socialismo” e recolocar o país numa rota de crescimento e prosperidade. Ressaltou a importância de defender os valores da família e também, como não poderia faltar, bradou em defesa da família tradicional e das crianças


Ponto problemático do discurso é justamente a sua forte bandeira pela defesa da corrupção. É curioso que Bolsonaro defenda que sua “missão divina” só chegou agora quando passou uma década integrando o PP, partido do centrão e que foi base de sustentação dos governos de Lula e Dilma Rousseff. Onde estava Bolsonaro, então, quando os partidos aparelhavam as estatais brasileiras? Pouco se viu dele nesse sentido. O parlamentar ganhou relevo em virtude de uma polêmica com a sua colega parlamentar Maria do Rosário (PT), quando disse que ela “nem merecia ser estuprada” em 2003. Sua atuação, do começo da década pra cá, em matéria de corrupção, não é de grande destaque.


Ponto positivo, sem dúvida, foi a defesa que ele faz dos princípios constitucionais. Destaca que governará para todos, respeitando as prerrogativas previstas pela Carta Magna e garantindo o efetivo funcionamento das instituições. A declaração, com objetivo apaziguador, procura acenar sobretudo para o Poder Judiciário, que aumentou o tom das críticas depois do jocoso vídeo em que o filho do deputado, deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) faz piadas sobre o fechamento do STF em palestra dada no mês de junho.


Só o tempo dirá os caminhos que o governo Bolsonaro seguirá. É preciso que ele tenha, agora como presidente eleito, equilíbrio para seguir o que pregou no seu discurso e tente buscar dias melhores para o Brasil.


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