( Reprodução )

As verdades de Cid servem para reflexão a longo prazo do PT

“Respeito aos princípios e regras que norteiam a honra e a probidade”. Esse é o significado da palavra lealdade no dicionário da língua portuguesa. Tal princípio é pouco visto na política atual, em que cargos e disputa de poder são norte para as relações, e não os princípios ideológicos e pensamento em prol do bem-estar da população. Lealdade não é uma marca do PT nos últimos anos, embora fosse fiel a seus valores iniciais durante muitos anos. A derrocada começou após a chegada ao poder. Afinal, como dito nos corredores dos Parlamentos brasileiros, “vale tudo”.


Ciro Gomes foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará e ministro da Fazenda, com o PT na oposição, pois ele era filiado ao PSDB no período de 1988 a 1996. O irmão dele, Cid Gomes, foi governador do Ceará de 2007 a 2014, com o Brasil bem economicamente e sem a divisão e forte polarização política atual, no entanto, no período foi aliado do PT. Nas sabatinas durante a campanha eleitoral à Presidência neste ano, Ciro disse diversas vezes que “apoiou o PT nos últimos 16 anos”. E é verdade, apoiou até demais.

Lula, quando presidente, prometeu que, em 2010, o seu candidato à sucessão seria Ciro Gomes, que chegou até a transferir o título eleitoral para São Paulo, a fim de articular melhor uma postulação ao Planalto a pedido de Lula. Mas aconteceu que o PT deu a primeira rasteira em Ciro: em articulação com o então governador de Pernambuco Eduardo Campos, Lula fez com que o PSB retirasse a candidatura de Ciro para apoiar seu “poste” Dilma Rousseff. Mas Ciro foi lá e se manteve na coerência, apoiando Dilma, mesmo sabendo de seu despreparo para comandar a nação.

Já durante o primeiro mandato de Dilma, Lula reiterava, nos bastidores, que Eduardo seria o candidato em 2018, quando a presidente “terminasse” o mandato, o que não aconteceu por conta da desconfiança que Eduardo também tinha em relação ao PT. Ele lançou seu nome em 2014, mas para fortalecer para este ano, se estivesse vivo, ser candidato com mais envergadura, sem depender da “escora” na perigosa bengala petista. O que poderia acontecer com Eduardo nas eleições de 2018 seria o que aconteceu com Ciro Gomes: o PT tramar e articular para enfraquecê-lo e depois pedir apoio.

Os petistas, como se sabe, ordenados pela presidente do partido, Gleisi Hoffmann, em articulação com o ex-presidente preso, Lula, fizeram uma dobradinha com o PSB, para que o partido não apoiasse Ciro, pois assim ele seria mais forte que Haddad na corrida eleitoral: o PT retirou a candidatura de Marília Arraes para o Governo de Pernambuco e apoiou Paulo Câmara e o PSB de Minas retirou a candidatura de Márcio Lacerda, ex-prefeito de Belo Horizonte, para apoiar Fernando Pimentel.

Pois aconteceu o efeito pior para os petistas: Marília poderia ter vencido aqui em Pernambuco, Fernando Pimentel nem foi para o 2º turno em Minas e Márcio Lacerda certamente venceria a disputa no estado mineiro porque nem o PT é bem visto e nem o PSDB, de Aécio Neves. Além disso, as chances de Haddad chegar ao Planalto são pequenas hoje.

Ciro não subiu no palanque do PT e já está pensando em 2022, sem os petistas, que querem assumir o protagonismo da oposição em eventual governo Bolsonaro, mesmo sendo o mais incoerente e desleal dos partidos de centro-esquerda. Agora, os irmãos Gomes deram o troco, inesperado pelo PT, que quer sempre os outros partidos aliados como “servos” de suas trapalhadas. Combalido pela corrupção e com sede pelo poder, o PT é o maior responsável pelo sucesso de Bolsonaro nessa eleição. “Tem que fazer um mea culpa, tem que pedir desculpas, tem que ter humildade de reconhecer que fizeram muita besteira”, disse, corretamente, o senador eleito pelo Ceará, Cid Gomes. Na frente dos petistas. Com coragem e para reflexão.


Topo