JOSÉ MATHEUS SANTOS
O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, é um fenômeno, discorde ou concorde você com as posições dele. Sua campanha merece um estudo complexo nos próximos anos, tanto pelas pessoas da área de comunicação, como do marketing. Vejamos alguns fatores: pela primeira vez na história, as redes sociais mostraram força nas Eleições, sendo Bolsonaro e sua trupe o carro-chefe desta revolução digital e eleitoral. Com apenas 8 segundos de propaganda de rádio e TV, ele não conseguiu ser derrubado pelos seus adversários. O segundo ponto é a fidelidade do seu eleitorado, mesmo com notícias negativas, eles se mantêm fiéis ao deputado do Rio.
Bolsonaro também assumiu a liderança dos que pensam à direita no Brasil, tanto por ações planejadas milimetricamente desde 2016, quando ele começou a almejar a Presidência, com ações constantes nas mídias sociais, como pela baixa do PSDB, que tinha a hierarquia hoje ocupada pelo capitão durante 24 anos. Os tucanos perderam força e, neste domingo (7), o candidato Geraldo Alckmin pode amargar a pior posição dos peessedebistas na história das Eleições presidenciais no Brasil. O partido perdeu a força de se contrapor ao antipetismo por conta de diversas trapalhadas cometidas, e deu esse protagonismo a Jair Bolsonaro, que cresceu também em momento de descrença na política, algo que tem parcela de culpa de boa parte da classe política, como também da Operação Lava-Jato, que tem excessos e demonizou a política, como se todos fossem “ladrões”, o que não é bem verdade.
Em 2016, a derrocada do PSDB começou com a saída da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) do cargo e com apoio em massa dos tucanos. A primeira divergência foi sobre a participação ou não no governo do presidente Michel Temer (MDB). Geraldo Alckmin defendeu a não participação, mas o lado comandado por Aécio Neves foi o vencedor. Os tucanos ocuparam quatro ministérios no início do governo, sendo o pernambucano Bruno Araújo o das Cidades. Naquele momento, Aécio estava com força. Posava na imprensa de “Rei da Ética” e como um grande líder, pois perdeu uma acirrada eleição presidencial dois anos antes para Dilma em disputa acirrada.
Em 2017, com as revelações da delação da JBS, Aécio Neves, o então “grande estadista” perdeu muita força política. Gravado em esquemas de corrupção, o tucano, “ex-rei da Ética” , viveu momento mais instável de sua carreira, chegou à beira do abismo e, por pouco, não teve seu mandato cassado, contou com a ajuda da fraca presidente do STF na época, ministra Cármen Lúcia, que desempatou votação do plenário da Corte sobre se o senador mineiro poderia ou não ser afastado do cargo por determinação da Corte suprema. O episódio fortaleceu a candidatura de Alckmin à Presidência e rebaixou Aécio para uma candidatura à Câmara Federal, com campanha no mínimo patética: ele faz apenas atos em áreas rurais e evita sair às ruas.
Neste ano, mais uma vez, problemas no tucanato. O candidato a governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que pregou ser o “novo” em 2016 e atraiu diversos admiradores, queimou todo o pouco cartucho de credibilidade que tinha. Como já dito aqui, é o conspirador da candidatura de Alckmin, que é seu padrinho político. Doria não é leal e por pouco não deu rasteira em Alckmin para tentar o Planalto. Abandonou a prefeitura de São Paulo, descumprindo a promessa contrária, é candidato ao Governo paulista e trabalha a favor de Bolsonaro no interior do estado.
Por conta de todos esses problemas, o calvário tucano está cada vez mais sendo cavado. Do ponto de vista histórico, como já dito, com a saída de Dilma do poder. Um erro dos tucanos. Se a presidente Dilma tivesse terminado o seu fraco governo, os tucanos estariam com mais força. Nesse ínterim, o PT foi o mais esperto: contornou o discurso, jogou a culpa dos problemas do país para Temer, recuperou sua popularidade e retomou sua força. Independente de resultado da eleição, os petistas não estão em baixa. Muito menos Bolsonaro.