Entre os 27 estados brasileiros, apenas três nunca tiveram mulheres no comando de suas capitais, como prefeitas, senadoras ou governadoras. São eles Amapá, Piauí e Pernambuco. Nas eleições deste ano, a Paraíba quebrou o tabu e elegeu Daniela Ribeiro (PP) como senadora. O estado pernambucano já teve mulheres com boa representatividade e envergadura política na Câmara Federal, foram quatro: Cristina Tavares (PSDB), Ana Arraes (PSB), Luciana Santos (PCdoB) e Creusa Pereira (PSB). Marília Arraes (PT) amplia para cinco a participação feminina pernambucana no Parlamento a partir de 2019. Marília, inclusive, poderia ter sido a primeira governadora de Pernambuco, mas foi rifada da disputa estadual às vésperas da eleição em um acordão patife para minar a candidatura nacional de Ciro Gomes para a Presidência.
Bem aqui ao lado, um estado é exemplo para os demais. O Rio Grande do Norte elegeu 3 governadoras desde a redemocratização (Wilma de Faria/PSB, Rosalba Ciarlini/DEM e, agora, Fátima Bezerra/PT. O estado é o que mais teve mulheres no comando do Executivo. Em relação às senadoras, foram 4: Rosalba Ciarlini, Ivonete Dantas, Fátima Bezerra e, neste ano, Zenaide Maia. Para a cientista política Priscila Lapa, “o eleitorado pernambucano é muito contraditório, tem o viés de se dizer libertário e democrático, dando o tom da eleição do Nordeste, mas temos uma dificuldade na participação feminina, principalmente com as famílias tradicionais ocupando os espaços de poder, transferindo de pai para filho, formando oligarquias, e é algo que impede o movimento expressivo”. Logo, pode-se considerar o estado potiguar uma resistência nesse sentido, diante do quadro nacional, até porque o Nordeste ainda é muito machista e os homens dominam, predominantemente, os espaços de poder. Em Pernambuco, a prefeita mais importante do ponto de vista dos municípios é a de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), embora seja filha do seu padrinho político e pai, o ex-governador e ex-prefeito da capital do Agreste João Lyra Neto, também tucano.
Priscila Lapa também destaca que, “uma vez a mulher assumindo e fazendo uma boa gestão, os eleitores podem ser impactados de que ela tem a mesma competência de um homem governando”, porém essa bolha precisa ser quebrada. Hoje, no Brasil, as regras do jogo eleitoral são desiguais, não há estímulo dos partidos no diálogo das mulheres com a sociedade, a maioria das lideranças dos partidos nos Parlamentos são homens, que querem assumir o protagonismo a qualquer custo, deixando as mulheres restritas apenas a debates de certos temas, como aborto, gravidez, hospitais maternos, até porque ninguém melhor que as mulheres para debaterem sobre tal. Porém, elas precisam de mais espaços. Parafraseando a frase acima da cientista política, pode-se dizer que, se a bolha estourar, as mulheres mostrarão ainda mais sua força política a cada dia.