João Campos, primogênito do ex-governador Eduardo Campos, foi eleito o deputado federal mais votado de Pernambuco nas eleições do mês passado, obtendo mais de 400 mil votos. O mais votado da história estadual, algo relevante diante de grandes líderes que o estado já teve. Porém, após passada a campanha e a votação, o que toma conta da política são os bastidores por conta da expectativa da composição do primeiro escalão do governo reeleito de Paulo Câmara. João está cotado para a Secretaria das Cidades ou da Educação. Como se sabe, ele é potencial candidato à sucessão de Geraldo Julio no Recife. Do ponto de vista eleitoral, o melhor para o deputado eleito é ir para o secretariado, de maneira que existem muitas obras na Região Metropolitana e isso poderia alavancar sua popularidade. Enquanto isso, há uma componente dos votos. Neste viés, João Campos deveria se manter na Câmara Federal, pois valorizaria os milhares de votos recebidos, fazendo oposição ao presidente Jair Bolsonaro, podendo até se destacar. Certo é que, se vier para o secretariado, estará mais nítida a intenção de disputar a eleição municipal de 2020 na capital de todos pernambucanos. Resta saber se ele vai querer ser o capitão líder da capital ou fazer oposição ao capitão presidente.
CEARÁ PROTAGONISTA - O bloco oposicionista alternativo ao PT, formado no Senado por PDT, Rede, PP e PSB, está articulando a candidatura do senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE) para comandar a Casa. Tasso era um aliado histórico de Ciro Gomes até se afastarem há cerca de 10 anos. O senador eleito Cid Gomes (PDT-CE) é o articulador do bloco alternativo ao PT. Tasso, também senador cearense, inclusive, fez uma autocrítica pertinente ao PSDB, dizendo que o partido não aceitou o resultado das urnas em 2014 após a vitória de Dilma e trabalhou para derrubá-la.
OLHO NO MORO - O futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, pode ser uma válvula mediadora no presidente eleito Jair Bolsonaro. Moro tem dito a interlocutores, segundo informações de Lauro Jardim em O Globo, que é contra a tipificação das ações do MST como “terrorismo” e ao excludente de ilicitude, que daria permissão para policiais agirem com mais truculência em ações.
SÓ A LENHA É BARATA - O preço médio do gás de cozinha em Pernambuco passa os 74 reais e, agora, com o novo reajuste da Petrobras de 8,5% os problemas só vão aumentar. O fato é um desafio para um novo governo. A atual política de preços do gás e da gasolina da Petrobras não está correta, visto que os aumentos são quinzenais e nem há um direcionamento dos lucros da Petrobras na tentativa de conter a alta sem freio.
ROMBO NAS CONTAS - A previdência de Pernambuco tem um déficit de R$ 180 bilhões. Agora reeleito, o governador Paulo Câmara tem um desafio para os próximos 4 anos. Tem que articular uma saída com a Assembleia Legislativa para essa situação. Se dialogar bem, a oposição pode fazer um acordo. O problema é que os governos estaduais ficam à espera de uma ação federal. Pode até ser que aconteça um ajuste nacional nas aposentadoria, mas fica difícil se os executivos estaduais não fizerem o dever de casa.
Pergunto… Por que o vice-presidente eleito, General Hamilton Mourão (PRTB) está tão calado nos últimos dias?