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Estreia no RCF: Numerologia das eleições com Matheus Santos


1 - As pesquisas divulgadas pelo Ibope e pelo Datafolha no início da semana podem clarear este início, ainda nebuloso, do cenário eleitoral. Em Pernambuco, o governador Paulo Câmara tem 43% de rejeição, segundo o Ibope. O primeiro desafio do estafe da campanha do PSB será reduzir esse número através do guia eleitoral, porque Paulo terá mais de 5 minutos de guia, de um total de 12 minutos, contra 2 minutos e 40 segundos do principal adversário, o senador Armando Monteiro Neto. Mas isso não significa que é uma tarefa fácil. Os governistas deverão colar também na imagem de Lula e criticar o presidente Michel Temer, a quem Paulo faz oposição, pelos problemas do Brasil, que, na campanha do PSB, serão jogados nas costas do ocupante do Palácio do Planalto.


2 - O Datafolha também mostra que 5 candidatos estão competitivos na disputa pelas duas vagas no Senado. Jarbas (MDB) - 34% -, Humberto Costa (PT) - 25% -, Mendonça Filho (DEM) -25%-, Silvio Costa (Avante)-11%- e Bruno Araújo (PSDB) - 9%. Os números do Ibope serão parecidos, dentro da margem de erro, exceto para Jarbas que, neste, possui 26%, tecnicamente empatado com Humberto e Mendonça. Logo, a briga está em aberto. Por dois motivos: primeiro porque Humberto terá dificuldades para se explicar à militância petista por ter atuado para rifar a candidatura de Marília Arraes, Bruno e Mendonça foram ministros de Temer, presidente mais rejeitado da história. O segundo motivo é que os cidadãos mal estão achando a primeira opção, imagine o segundo voto para senador... E o terceiro motivo é a desorganização da unidade nas coligações: vários prefeitos do PSB declararam apoio a Paulo, mas votam em Mendonça para o Senado. Outro do PTB, Demóstenes Meira, de Camaragibe, ao invés de votar em Mendonça e Bruno, vai apoiar Jarbas e Silvio Costa. Não só ele, mas uma boa quantidade de prefeitos está apoiando para o Senado um de cada palanque ou apoia o governador de um lado e senadores de outro. Isso mostra duas questões: a falta de liderança, principalmente do governador Paulo Câmara, em unificar sua base e a indefinição na disputa pela Casa Alta do Poder Legislativo. Jarbas, Mendonça e Humberto são muito conhecidos e estão à frente, enquanto Silvio Costa e Bruno ainda não tem amplo conhecimento popular e já passam ou chegam perto dos dois dígitos, mostrando competitividade.


3 - Para presidente, o cenário só vai se definir quando Lula for trocado, definitivamente, po Fernando Haddad. É preciso ver a reação do eleitorado, mas óbvio que o ex-prefeito de São Paulo não ficará com 4% dos votos, ele ainda crescerá, só não se sabe se terá patamar próximo ao de Lula. Fato é que Marina, Ciro e Haddad brigarão por uma vaga no 2º turno do pleito, visto que a transferência predominante dos votos de Lula vai, predominantemente, para esses candidatos. O espólio nordestino, onde Lula lidera com 60%, será decisivo para a capitalização nacional, visto que existe uma "onda" de crescimento quando um postulante começa a subir nas pesquisas. O PT vai insistir na ilusão Lula até próxima semana, quando deve acontecer a "vitimização" do partido com a negativa da candidatura por parte do Tribunal Superior Elitoral, enquadrando o ex-presidente na Lei da Ficha Limpa.


4 - O estafe de campanha de Jair Bolsonaro já se mostra preocupado com os números do Datafolha. Ele mostra dificuldades para ultrapassar os 25% nas pesquisas e possui a maior rejeição (39%), mostrando o risco de derrota aumentar em um eventual, se conseguir chegar, segundo turno. As adversidades de Bolsonaro são pouco tempo de TV e rádio (20 segundos), enquanto Alckmin, por exemplo, terá mais de 5 minutos e poucos palanques competitivos nos estados, sobretudo no Nordeste, em Pernambuco, por exemplo, não tem palanque e os números são limitados.


CURTAS


SÃO PAULO - Embora à frente, por menos de 5%, de Paulo Skaf (MDB), João Doria enfrenta a maior rejeição (35%) entre os candidatos ao Palácio dos Bandeirantes. Ele é mais rejeitado na capital, onde deixou a Prefeitura sem ter cumprido promessas e, por ter dito, muitas vezes, que não seria candidato este ano. Para o Senado, apenas uma candidatura se mostra disparada, a de Eduardo Suplicy (PT), que tem mais de 30%. Ele já foi senador por 24 anos pelo estado.


RIO DE JANEIRO - Para governador, Romário (Podemos), Eduardo Paes (DEM) e Anthony Garotinho (PR) estão tecnicamente empatados à frente. 18%, 17% e 15%, respectivamente. Romário tem o discurso contra a corrupção, mas participou do palanque do atual governador Luiz Fernando Pezão em 2014, Paes foi do MDB por 10 anos, prefeito do Rio, aliadíssimo de Sérgio Cabral, ex-governador preso, e agora se esconde do amigo. Garotinho foi preso recentemente e tem mais de 50% de rejeição. Vida sofrida para o povo fluminense...


BAHIA E CEARÁ - O PT vai dar de lavada na oposição nos dois estados. Camilo Santana (CE) tem, nos votos válidos, desconsiderando brancos e nulos, 84%, enquanto Rui Costa (BA), 75%. Os oposicionistas apenas marcam presença.


MINAS GERAIS - Dilma segue na frente no Senado, com quase 30%. Enquanto isso, o também petista Fernando Pimentel enfrenta dificuldades para se reeleger, com base fragilizada no interior e dificuldades no pagamento de salários dos servidores estaduais. Ele tem 20% contra 29% de Antonio Anastasia, do PSDB, que terá dificuldades para explicar a amizade com Aécio Neves aos eleitores. Aécio desistiu de disputar a reeleição ao Senado diante da forte rejeição por contas das implicações na Lava-Jato. Vai tentar vaga na Câmara Federal. Já Dilma terá de explicar os problemas de corrupção e a crise ampliada pelo seu frágil governo.


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