( Lula Marques )

Judiciário brasileiro faz apologia ao ético, mas pratica o imoral e indecente

JOSÉ MATHEUS SANTOS O Judiciário brasileiro cumpre papel importante nos últimos anos, sobretudo desde 2014 com o início da Operação Lava-Jato e um alento de que a corrupção pode sim ser mais combatida e que os criminosos de “colarinho branco” devem ser dizimados. Apesar disso, o Poder Judiciário tem excessos que são vistos desde o início do novo tempo de depuração no país. Quem critica não é porque é contra o combate à corrupção, mas a favor do aperfeiçoamento dos mecanismos.

Não estou aqui para defender PT nem PSDB, mas vamos juntos visualizar alguns cenários. Na semana passada, a Justiça prendeu temporariamente o ex-governador do Paraná e candidato ao Senado, Beto Richa, que estava sem foro privilegiado desde abril e com investigações já ocorrendo há um certo tempo. Agora, no meio da eleição, que se pede a prisão? Por que não pouparam os cidadãos de verem o político como candidato então? O que se vê é que certos “juízes” não estão mais imunes a críticas e que elas não são necessariamente partidárias.
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Nesta segunda-feira (1º), já no início do ápice eleitoral, o juiz Sérgio Moro, que tem feito um bom trabalho à frente da Lava-Jato, quebrou o sigilo da delação premiada do ex-ministro dos governos petistas Antônio Palocci, com relatos graves de corrupção, inclusive lançando suspeitas sobre o ex-presidente Lula. Muito tempo tinha para quebrar esse sigilo, de uma delação tão questionada inclusive pelo Ministério Público, é tanto que Palocci fechou o acordo com a Polícia Federal. É fundamental que as investigações não parem, mas o que parece é a necessidade de agentes públicos de mostrar protagonismo em meio às eleições. O juiz Moro poderia ter feito esse ato tanto há um mês quanto poderia deixar para o período pós-eleição.

Já há cobrança por parte da sociedade brasileira em relação à postura do Judiciário, um poder que tem corrupção e regalias, assim como os outros, e com membros demagogos que insistem em maus comportamentos. Há diversos que em suas sentenças fazem apologia ao combate à corrupção e por um país mais justo, mas seguem ampliando as desigualdades quando recebem auxílio-moradia mesmo tendo residência para “compensar a falta de aumento salarial nos últimos três anos”, como disse o juiz Sérgio Moro. E ele não está só nessa prática. Mas nos autos dos processos o que leva a crer é que esses membros são “inocentes do Rosarinho”. Poupem-nos. “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
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