O final da campanha eleitoral marca, costumeiramente, as grandes jogadas de desespero das candidaturas. Fernando Haddad parece ter definido a sua: o clamor pelo apoio formal de Ciro Gomes, terceiro colocado no 1º turno e vítima de uma jogada do PT que praticamente dizimou suas chances de êxito.
É de conhecimento público que o Partido dos Trabalhadores articulou pesadamente nos estados para que, no âmbito nacional, a candidatura de Ciro Gomes fosse esvaziada. O pedetista, que flertava com o PCdoB e o PSB, terminou ficando somente com o nanico Avante, pois a articulação petista envolveu a retirada de candidaturas estaduais para o fortalecimento do palanque nacional, como, por exemplo, a saída de Marília Arraes da disputa pelo Governo de Pernambuco. Resultado: depois dessas costuras políticas, Ciro, que vinha em tendência de crescimento para conseguir uma vaga no segundo turno contra Bolsonaro, assistiu sua candidatura perder os votos do espólio petista, que migraram para Haddad.
Nesse momento, com uma combalida campanha de segundo turno, que carrega a sombra da rejeição a Lula e ao PT, Haddad implora por um gesto formal de Ciro. O pedetista se mostra relutante, com razão, em virtude das diversas manobras de Lula e cia para frear o seu crescimento. A jogada reflete o desespero do PT, que se vê atrás nas pesquisas e dependendo de um grande trunfo, ainda não encontrado, para virar o jogo. Em que pese a mediocridade intelectual e política de Bolsonaro, além da covardia em assumir os erros do seu estafe, como declarações polêmicas do vice General Mourão e do seu filho Eduardo, o petista sabe que o partido carrega a marca dos escândalos de corrupção e da fraca gestão de Dilma Rousseff, o que terminou apagando (alguns) avanços obtidos na era Lula. O resultado de domingo é imprevisível e, quem quer que seja o vencedor, terá muito trabalho para colocar o Brasil em rota de crescimento, porém, uma coisa é certa: embora tenha dificuldade de reconhecer os próprios equívocos, o PT, hoje, colhe os resultados de sua postura política. Postura essa que coloca o país em risco de ser entregue a uma candidatura inconsistente, incoerente e desorganizada como a de Jair Bolsonaro.
Tempos difíceis.