( Os candidatos à Presidência da República: Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (REDE), Henrique Meirelles (MDB), Álvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota) e Guilherme Boulos (PSOL) )

Nas eleições deste ano, os debates nos mostram muito além do que esperamos acerca dos candidatos

Na noite da sexta-feira (17), aconteceu o segundo debate envolvendo os presidenciáveis, este produzido e levado a cabo pela emissora RedeTV. Logo, já ocorreram dois momentos desse gênero neste período de eleições. Existem, ainda, mais sete debates previstos para acontecerem durante esta caminhada rumo às Eleições.


Os debates televisionados pelas emissores chamadas de “TV aberta” já são consagrados nacionalmente, sendo sempre encarados como o momento de conhecimento de um candidato, uma vez que ele é posto “na parede”. Os candidatos, teoricamente, são questionados, pelos adversários, jornalistas e população, acerca dos mais diversos assuntos e possuem um curto tempo para se posicionar.


Como dito, isto é o que deveria acontecer.


Os dois últimos debates se mostraram mais conversas de “comadres”, termo típico de Recife, do que um debate de fato. Os candidatos pareciam formar duplas nos momentos separados para peguntas diretas e para comentários sobre as perguntas dos jornalistas. Nesse sentido, formulavam perguntas e comentários com o único intuito de expor a sua proposta política. O mesmo com o candidato perguntado/comentador, que nada respondia, apenas fazia exposição das suas propostas.


Este fenômeno ficou especialmente explícito no debate de ontem, onde Ciro Gomes e Geraldo Alckmin, por exemplo, passaram quase que todos os blocos do programa escolhendo um ao outro e usando essas escolhas para tornar o debate em propaganda eleitoral.


O foco, então, é tentar refletir sobre o que este tipo de “debate” traduz do cenário político nacional. O desejo popular por renovação política tem se evidenciado de maneira cada vez maior dentro da sociedade, abrangendo todos os grupos, mesmo com ideologias distintas. O conceito de “renovação política”, mesmo que diferente dentro de grupos distintos, é desejado de maneira geral.


Não surpreendentemente, os políticos respondem a esse anseio. Presente no discurso de todos, a tal renovação política é apregoada como o centro da proposta de todos. Observando os debates até agora veiculados a sensação é de ver uma criança absolutamente melada de chocolate dizendo que sequer tocou em qualquer doce.


Os presidenciáveis reproduzem no debate exatamente aquilo que não é a renovação política. Ao escolherem os companheiros de perguntas com o intuito de fazerem propaganda de de si, ao escolherem com delicadeza perguntas que não possam colocar o perguntado em maus lençóis, os candidatos só demonstram que pretendem manter os mesmos hábitos, cultivar as mesmas alianças para a futura “governabilidade”. Seguem, enfim, tentando dar uma nova roupagem à velha política, muito conhecida e já tão rejeitada por todos.


O que se espera dos próximos debates é, ao menos, que sejam pensados para mostrar aos espectadores que os discursos estão apenas com uma nova maquiagem, que, na verdade, são mais do mesmo que já nos acompanha há anos.


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