JOSÉ MATHEUS SANTOS
Mesmo com protestos do final de semana, contrários à sua candidatura, Jair Bolsonaro obteve crescimento na pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (1º) e que ouviu 3.010 eleitores em 228 municípios durante o sábado e o domingo. O instituto mostrou algumas questões que veremos a seguir.
1) Bolsonaro registrou o seu maior percentual, entre as regiões, no Sul, com 39%, um número consolidado e que lhe dará uma votação expressiva na região. É quase irreversível a tendência de crescimento ou estabilização do candidato do PSL entre os sulistas. Apesar disso, o que impulsionou a alta do deputado candidato foi o Nordeste, ele registrou alta de 6 pontos percentuais, indo de 15 para 21%. No Sudeste, ele foi de 29 para 35 pontos. No âmbito geral, houve um crescimento, nos últimos 4 dias, duas vezes maior entre as mulheres do que os homens, mostrando que os protestos não surtiram o efeito esperado, visto que alguns dizem que ele foi “patrocinado” por partidos de esquerda e a baixa cobertura da mídia a isso. No sábado, no Jornal Nacional, foram 4 minutos sobre o protesto, enquanto 11 foram sobre a alta hospitalar de Bolsonaro. Um trabalho para o candidato do PSL é a rejeição de 51% entre elas, mesmo com o postulante atraindo, teoricamente, indecisos. Entre os homens, Bolsonaro tem 39%, nas mulheres, 24%. O capitão tem uma barreira também entre os menos escolarizados (19%). Nos mais escolarizados, Bolsonaro chega a 40% nas pessoas de nível superior, nítido eleitorado antipetista;
2) A campanha de Fernando Haddad está com alerta ligado para o debate da Globo, que será realizado na próxima quinta-feira, às 22h, com comentários no stories do instagram.com/portalrcf . Haddad pontuou de maneira estabilizada na maioria dos cenários. Ele ficou também “parado” entre os eleitores de 35 a 54 anos, pessoas que têm mais lembrança do governo Lula, bem visto por boa parte da população, e teve queda entre os com mais de 55 anos. O nível de preocupação petista está acentuado na rejeição, com alta de 11% (27 para 38%). Em todos os cenários estratificados, a rejeição de Haddad teve crescimento relevante, algo que é reflexo de ataques dos seus adversários ao PT, problemas de corrupção do partido e às propostas e alianças. No debate da Record no domingo, Haddad foi um dos piores candidatos no desempenho, com falas duvidosas e afirmações que não atraem eleitores indecisos. Fernando Haddad também degringolou no Sul, indo de 19 para 13%, em franca queda por dois motivos: crescimento de Bolsonaro nos indecisos e fracos palanques petistas nas disputas regionais. No Rio Grande do Sul, estado que o PT já governou duas vezes e possui um senador, a candidatura de Miguel Rossetto a governador está patinando;
3) Os eleitores mais jovens são os que podem impulsionar a candidatura de Ciro Gomes (PDT). O ex-governador do Ceará passou está tecnicamente empatado com Fernando Haddad. Ciro tem 16 e Haddad 20. Os pedetistas devem pregar o voto útil sobretudo nesse setor, alegando que Ciro é o único candidato que derrotaria Jair Bolsonaro no segundo turno sem margem de erro. O candidato Ciro Gomes teve leve crescimento também entre os que estudaram até a 4ª série do fundamental. As pesquisas ao longo da semana podem mostrar mudança ou não diante da divulgação da delação do ex-ministro Antônio Palocci às vésperas do período eleitoral, e esse setor, dos menos escolarizados, são os que historicamente são mais versáteis na mudança de voto. Ciro tem a menor rejeição e vai pregar o voto útil como único que venceria Bolsonaro no segundo turno. O PDT aposta em Ciro no debate da Globo, programa televisivo visto como “grande chance” para alavancar a candidatura;
4) O candidato Geraldo Alckmin tem que dar uma “cambalhota” nesses últimos dias de campanha. Há três entraves na campanha. O primeiro deles é o alvo percentual de Álvaro Dias no Sul (6%), empatado tecnicamente com Alckmin (7%). O eleitorado do Paraná, tradicionalmente tucano, redireciona parte dos votos para Bolsonaro e uma parte fiel a Dias mantém o voto. A candidatura do PSDB deve investir em atos pelo Sul e Sudeste. O segundo fator é que em São Paulo o número não está conforme o esperado. No Sudeste geral, Bolsonaro tem 35% e Haddad, 13%. Alckmin tem dois palanques na disputa estadual em São Paulo: Márcio França (PSB), seu vice durante o mandato recente, e que está em ascensão, o que alavanca as esperanças dos aliados de Alckmin, e João Doria (PSDB), que, mesmo sendo tucano, conspira contra Alckmin e “relaxa” nos pedidos de voto para Alckmin. Aliados de Doria pregam, sobretudo no interior paulista, o voto “Bolsodoria”. O terceiro fator é a indefinição no PSDB sobre as últimas inserções e o último programa eleitoral, que ocorre na quinta-feira no rádio e na TV: se deve atacar Bolsonaro e o PT ou só um dos lados. No guia, Alckmin diz que o PT já está no segundo turno, mas ele sabe que é Bolsonaro quem já está lá.
Para findar esta detalhada análise, apenas um detalhes: hoje, as chances de Jair Bolsonaro vencer no primeiro turno serão remotas, mas existem. Para isso, é preciso basicamente que metade dos votos de Ciro Gomes e Geraldo Alckmin migrem para o candidato do PSL. As chances serão baixas, mas existem. A maior possibilidade é sim de haver um segundo turno.