Apesar de já destacado na liderança do primeiro turno, Bolsonaro tem uma discrepância acerca da análise por sexo. Entre os homens, ele chega a 35% no Ibope e 32% no Datafolha e é inatingível, considerando a margem de erro ele já é garantia de superar a barreira de 30%. No cenário do eleitorado feminino, começam as primeiras dificuldades do candidato do PSL que, mesmo internado após sofrer atentado a faca na semana passada, segue atuando nas redes sociais, seu maior trunfo de divulgação entre os eleitores. O atentado, inclusive, não modificou o jogo eleitoral, pois havia um temor, entre adversários, de que Bolsonaro crescesse para além da margem de erro e a rejeição reduzisse. Entre as mulheres, no Ibope, o capitão chega a 18%, em número bem abaixo quando comparado ao eleitorado masculino.
Na segunda posição, Ciro está à frente entre os homens e Alckmin entre as mulheres, mas os dois, junto com Marina e Haddad, que disputam a posição aparecem em cenário embolado. É notório também o crescimento do candidato Ciro Gomes (PDT), mas resta saber se isso será consolidado nos próximos dias. Pesquisa do Datafolha a ser divulgada na sexta-feira deve mostrar se isso é tendência ou estagnou. Ciro lidera no Nordeste brasileiro, puxado pelos eleitores que optam por uma saída “mais viável” para derrotar Jair Bolsonaro no 2º turno, já Haddad e Bolsonaro têm disputa acirrada. Ciro apresenta de 18 a 20% entre os nordestinos e irá para o embate com Haddad a fim de crescer ainda mais na região. O Nordeste será decisivo porque é aqui que se encontra em massa o espólio eleitoral de Lula. O candidato do PDT precisará se sair bem nos três debates de grande audiência que haverá pela frente: SBT, Record e Globo.
O candidato do PT, Fernando Haddad, apresentou postura agradável à cúpula do partido. Em alguns cenários, por exemplo, ele dobrou o percentual de votos, como nos eleitores entre 35 e 44 anos, em que o petista passou de 4 para 8 pontos. Entre os homens no geral, Haddad pulou de 4% para 9%. Entre as mulheres, o ex-prefeito paulistano pulou de 3% para 9% em triplo crescimento. Nos eleitores acima de 45 anos, até porque estes têm mais lembrança dos benefícios sociais do governo Lula, padrinho político de Haddad, este, no mínimo, dobrou os percentuais. Já era esperado no meio político que Haddad cresceria, visto que há uma parcela ‘lulista’ no eleitorado. Porém, apesar de ainda ter perspectiva de crescimento, pois ele vai explorar a imagem de Lula na tentativa de transferência de votos do líder para si, Haddad vai ser vítima de “bombardeios” por parte dos adversários. Nesta quarta-feira (12), Marina Silva (Rede) já deu o pontapé inicial ao declarar que Haddad é “uma nova Dilma”, no sentido de ser um “poste” do ex-presidente Lula.
A campanha do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) já afirma que o tucano voltará a atacar Jair Bolsonaro, alegando que já se passaram alguns dias após o atentado e os eleitores que não votam nele tampouco mudaram de posicionamento. Alckmin já afirmou na tarde desta quarta (12) que votar em Bolsonaro é “passaporte para a volta do PT”, tentando pegar o que é chamado de “voto útil” dos antipetistas. Geraldo Alckmin deve seguir conselho de pessoas próximas e explorar o eleitorado de São Paulo, pois pode puxar seu número no Sudeste, que está em 12% no Datafolha e 10% no Ibope, visto que sua votação no Nordeste deve ser melancólica, em Pernambuco, por exemplo, o cabo eleitoral é Bruno Araújo, candidato tucano ao Senado, e que sequer chega aos dois dígitos nos levantamentos. Segundo a jornalista Andréia Sadi publicou em seu blog, o estafe campanha nacional tucana também pretende atacar Ciro Gomes, mas ainda não teve o aval de Alckmin, que considera Ciro um “amigo” e por quem diz ter respeito de “longa data”. O fato é que o alerta está ligado entre os membros do PSDB e aliados, pois Alckmin não chega a um número satisfatório mesmo tendo maior tempo de propaganda no rádio e na TV. Inclusive, com a prisão do ex-governador e candidato ao Senado pelo Paraná, Beto Richa (PSDB), nesta terça, e com a operação desta quarta contra o candidato à reeleição em Mato Grosso do Sul, o também tucano governador Reinaldo Azambuja, fica fragilizado o discurso de Alckmin de combate à corrupção.
Enquanto os outros ainda têm perspectiva de crescimento ou desejam, Marina Silva, a candidata mais conhecida dos eleitores com 91%, de acordo com o Datafolha, apresenta queda nas duas pesquisas e já foi ultrapassada por Ciro Gomes. Como se sabe, Marina ainda tem boa presença no eleitorado feminino e é uma das beneficiadas da saída do ex-presidente Lula. Na terça (12), ela disse que considera Lula um “corrupto” e isso pode prejudicar sua campanha se a campanha do PT explorar a sua fala. Marina apresentou queda de 23% para 13% dos votos no Norte, de onde é de nascença, enquanto, na mesma área regional, Haddad passou de 2% para 11 pontos percentuais, segundo o Ibope, em clara mudança de votos de eleitores. Nas outras regiões, Marina está entre 8% e 12%. A candidata da Rede apresenta tendência de queda nos números. Será que isso vai se confirmar? Na sexta, com a nova pesquisa DataFolha, saberemos.