( Infraero )

O ônus e o bônus da privatização do Aeroporto Internacional do Recife

O programa de privatização dos aeroportos grandes do Brasil foi iniciado no governo da ex-presidente Dilma Rousseff em 2012, e de maneira correta. Já era nítido o alto custo de operação dos prédios localizados em capitais por conta da alta circulação do transporte aéreo no Brasil. Como se sabe, desde 2005, o transporte aéreo passou a ficar mais acessível no país, com as companhias aéreas vendendo mais e os consumidores podendo circular mais rapidamente pelas diversas regiões do país. Quem circula com uma certa frequência sabe que não é necessariamente indo para a iniciativa privada que o terminal de passageiros fica a mil maravilhas, haja vista o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro.


Nos índices de avaliação, o novo aeroporto de Brasília, Juscelino Kubitschek, reformado para a Copa do Mundo de 2014, e o do Recife, Internacional Gilberto Freyre, sempre aparecem entre os melhores. O nosso terminal de passageiros é de circulação fluida, leve, com vasta diversidade comercial e amplo espaço de embarque e desembarque, algo que poderia ser feito nas rodoviárias do estado também. Diversos aeroportos foram privatizados nos últimos cinco anos no Brasil, mas o do Recife sempre ficou “para a próxima vez” e até hoje nada. Porém, como tudo, à medida que o tempo de aproxima, o imprevisível fica mais previsível. O lote de concessões previsto para o ano que vem coloca o Aeroporto do Recife no mesmo lote de privatização dos de Mossoró (RN), Campina Grande (PB), Maceió (AL), Juazeiro do Norte (CE), Aracaju (SE) e Bayeux (PB, que é usado pelos cidadãos de João Pessoa, que não tem aeroporto. Todos esses não amarram a chuteira do aeroporto recifense no quesito de circulação de passageiros.


Um dos deputados mais atentos a essa questão, Felipe Carreras (PSB-PE) entrou na Justiça em junho por avaliar desvalorização na forma como o programa de concessões do governo Michel Temer estava sendo proposto. Para se ter ideia, o terminal do Recife, com ligação a mais de 15 destinos internacionais, receberia investimento de R$ 453 milhões, enquanto o precário terminal de Salvador teria R$ 2,8 bilhões além de uma nova pista. Fica bem nítida a desvantagem do recifense diante do soteropolitano. Assim, a batata deve ficar “quente” nas mãos do governo Bolsonaro, que não foi claro na campanha eleitoral sobre como serão feitas as privatizações de aeroportos. O presidente eleito dizia que iria fazê-las, porém não detalhava o meio. E, até agora, o “posto Ipiranga” e futuro superministro da Economia, Paulo Guedes, não tocou no assunto.


É fato que, se a privatização do aeroporto do Recife for bem feita, em um lote equilibrado e não colocando o terminal pernambucano como bode expiatório para privatizar terminais de média e pequena escalas, pode-se sim melhorar a situação vigente atualmente, que não é as piores. Agora, se continuar o desleixo em relação a um dos maiores terminais de circulação do país e com o governo eleito demonstrando a incapacidade que a atual gestão teve no setor de transporte aéreo, uma série de complicações serão feitas. Só não se pode dizer que o alerta não foi dado, porque, para um bom futuro, é melhor avaliar bem o que é feito no presente.


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