( (Foto: Agência Senado Federal) )
JOSÉ MATHEUS SANTOS
matheus.santos@portalrcf.com.br
Chega ao fim, nessa semana, mais uma legislatura no Congresso Nacional e, com isso, alguns protagonistas deixam o Parlamento brasileiro, como já comentamos aqui na semana passada acerca da Câmara dos Deputados. Dessa feita, falamos do Senado Federal, Casa tão importante quanto, e que discutiu temas extremamente importante para o Brasil nos últimos anos. Atualmente, representam Pernambuco lá os senadores Humberto Costa (PT), reeleito, Fernando Bezerra Coelho (MDB), que termina mandato em 2022, e Armando Monteiro (PTB), que deixa o Senado em janeiro e cede a cadeira para Jarbas Vasconcelos (MDB), eleito em outubro.
Nos oito anos em que esteve no Senado, Armando tomou diversos posicionamentos. No início, chegou ao Senado como aliado do então governador Eduardo Campos, junto com quem foi eleito em 2010. Com o perfil de quem havia sido presidente da Confederação Nacional da Indústria, e importante interlocutor do ex-presidente Lula na área, Monteiro apresentou projetos de desenvolvimento para o Nordeste para a nova presidente, Dilma Rousseff. No período, participou ativamente das discussões econômicas do país nas comissões temáticas, que, geralmente, são negligenciadas por boa parte dos senadores.
Em 2013, Armando rompeu com a Frente Popular para, no ano seguinte, tentar consolidar o seu grande sonho: o de ser governador de Pernambuco. Sabendo que não seria o escolhido por Eduardo Campos para a sucessão, Armando partiu, com seus aliados, para o campo opositor e, em 2014, apresentou um projeto ao Estado, alegando ter “experiência” diante do recém-chegado na política Paulo Câmara, que nunca havia sido candidato a cargos públicos. Na eleição, Armando despontou na frente, mas, em meio à morte do ex-governador Eduardo, que comoveu boa parte da população, viu o adversário, Paulo (PSB), decolar e consolidar a vitória. Naquele ano, Armando contou com o apoio da presidente Dilma e do ex-presidente Lula, tendo o PT como aliado na chapa.
No início do segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, foi chamado por ela para ser ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e teve bom desempenho, diferentemente da maioria dos pares do primeiro escalão da Esplanada. A balança comercial brasileira apresentou recuperação no período e o país ampliou o leque de relações econômicas com Estados Unidos, China e nações do continente sul-americano, dando um pouco de fôlego para o “desgoverno” que estava em voga. De volta ao Senado, Armando fez questão de participar da votação do impeachment de Dilma Rousseff e, mesmo sabendo que ela seria derrotada, foi leal e permaneceu até o fim com o voto contrário ao afastamento da petista.
Quando Dilma saiu, Armando estava lá ao seu lado, dando-lhe apoio. Na época, ele criticava o PSB, que apoiou a saída de Dilma, sobretudo Paulo Câmara e Geraldo Julio.
Temer chegou ao poder e Armando fez oposição a ele. Mas manteve os seu norte de atuação. Foi coerente na votação da Reforma Trabalhista, pois ele sempre defendeu tal ação, inclusive nas campanhas eleitorais. Não se trata aqui de ser a favor ou contra o projeto, mas o político deve ser fiel à palavra que deu aos seus eleitores. No princípio do governo Temer, adversários de Armando aqui no estado, como Paulo Câmara, chegaram a defender a necessidade de Reformas. Depois, quando viram a impopularidade, “mudaram” a forma de pensar.
Em 2017, com o tsunami da delação do empresário Joesley Batista, Armando defendeu veementemente a saída do presidente Michel Temer, gravado em conversas não republicanas nos porões do Palácio do Jaburu, onde reside. Monteiro criticou a falta de sentimento do chefe do Executivo diante da vontade popular. Neste ano de 2018, tentou novamente realizar seu grande sonho: ser governador. Não conseguiu. Saiu derrotado por Paulo Câmara pela segunda vez consecutiva e encerra o mandato após 20 anos de vida parlamentar em Brasília, como deputado federal durante 12 anos e oito como senador.
Lealdade e coerência foram as marcas do senador nos anos que se passaram no atual mandato. Pode-se discordar dos seus posicionamentos diante de diversos temas, mas não se nega que é um político que tem as bases e pilares estabelecidos com o eleitor de Pernambuco. Segue o exemplo do pai, Armando Monteiro Filho (in memorian), ex-deputado e ex-ministro do governo Jango, e um marco da democracia durante sua trajetória de vida pública. “Armandão”, o pai, dono de usinas, ex-deputado e ministro do Trabalho de João Goulart, teve a chance de se aliar aos militares no golpe de 1964, mas não o fez, por diversos motivos, mas, sobretudo, pelo respeito ao seu eleitor.
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