LUCAS ROCHA O PSB conseguiu estender suas raízes no Palácio do Campo das Princesas por mais quatro anos. Desde 2006 na direção do Estado, o partido consegue consolidar seu espaço no cenário político pernambucano, expandindo suas raízes por todo o Estado. Filiado à sigla desde 2013, o governador Paulo Câmara estreou na política nas eleições de 2014. Com a benção do ex-governador Eduardo Campos, Paulo saiu vitorioso do pleito, como governador mais votado do país, obtendo 68% dos votos. Assim como nas eleições de 2018, deixou para trás o senador Armando Monteiro Neto (PTB).
No mandato que está finalizando, Câmara carregou o peso da sucessão de Eduardo Campos, que governou o estado durante oito anos, que chegou à reeleição em 2010 com mais de 80% dos votos válidos no primeiro turno. O retrato da "continuidade" pode ser observado no que fora realizado nesse primeiro ciclo de gestão Paulo Câmara: a manutenção de programas como Chapéu de Palha, Mãe Coruja, os investimentos na educação de ensino médio; além disso, a composição do primeiro escalão do governador ainda apresentou evidências do governo Eduardo Campos. Os auxiliares Antônio Figueira, Sérgio Xavier, Milton Coelho, Marcelino Granja, Frederico Amâncio, Danilo Cabral, Sebastião Oliveira, que compunham o governo Câmara, já tiveram participação no período de administração do ex-governador.
Tava na cara que o inexperiente recém-político encontraria alguns percalços no início da caminhada, mas, com uma boa equipe e ainda contando com a popularidade do padrinho Campos, Paulo foi tecendo o estado da maneira que achou pertinente. Conseguiu fazer bem o "feijão com arroz". Entretanto, um ponto negativo foi suficiente para colocar à prova o modo de gerir do governador: a questão da segurança pública. Justamente ela que era evidenciada positivamente nos mandatos de Eduardo. A criação do Pacto pela Vida e os investimentos em segurança, que auxiliaram na redução de crimes no Estado, pareceram perder efeito nos últimos quatro anos.
Quando o Pacto Pela Vida foi implementado em 2008, o estado teve 4.634 homicídios. O programa obteve seus melhores números em 2013, quando foram registrados 3.100 homicídios. Em comparação com o ano de 2017, houve um aumento de 75% no número desses crimes em Pernambuco, e cerca de 5.426 crimes dessa natureza foram registrados no ano passado. Mais de 1.200 policiais foram formados esse ano e foram enviados para reforçar o policiamento ostensivo no estado. Entretanto, a falta de debate com especialistas em segurança pública e a sociedade em geral, a má gestão da problemática da segurança no Estado, entre outras situações, contribuíram para macular as ações do governador perante os pernambucanos.
A partir dessa terça-feira (1º), o governador inicia mais um ciclo à frente do estado. Agora é hora do chefe do executivo estadual mostrar que, de fato, "caminhando com seus próprios pés", pode realizar grandes feitos na esfera pública de Pernambuco. Muito se discutiu da falta de articulação política proveniente de Paulo. Outros acreditavam até que Câmara não conseguiria segurar seu nome na sigla para a disputa da reeleição. Porém, fora colocado ordem na casa. O governador não só garantiu seu nome na disputa pelo palácio, como conseguiu fortalecer as alianças no cenário político estadual. O palanque da Frente Popular para a disputa do recente pleito foi formado com elementos até atípicos se levado em consideração os ventos da política no estado. Nomes como o de Jarbas Vasconcelos (MDB) e Humberto Costa (PT) na mesma coligação, antigos arquirrivais, a troca de Raul Henry (MDB) por Luciana Santos (PCdoB) para o posto de vice, além da articulação com o partido dos trabalhadores para viabilizar o apoio único do ex-presidente Lula para Câmara na disputa estiveram presentes.
Antes mesmo de tomar posse para o segundo mandato, Câmara já deu início às suas ações perante a administração do estado. Um pacote de leis foi encaminhado ainda este ano para a Assembleia Legislativa de Pernambuco, com ajustes na área fiscal, aumento e isenção de impostos, até mesmo para viabilizar algumas promessas de campanha realizadas no pleito de 2018. Além disso, as alianças que foram ora reafirmadas ora conquistadas demonstram que, ao menos, apoio o governador deve contar para o próximo mandato.
Esse é o mandato de Paulo mostrar que pode fazer mais do que já foi feito. De promover iniciativas que partam de seus ideias. É hora de andar sem as muletas deixadas por gestões passadas.