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Opinião | Faça o que eu faço

MANOEL NETO Jair Bolsonaro conseguiu se eleger, apesar da avalanche de informações (falsas e verdadeiras) que tomou conta da internet, pelo desejo latente da população pelas mudanças. A sociedade busca uma política mais transparente, serviços públicos funcionais e a retomada da capacidade de investimentos. É notório que a questão econômica é fundamental no processo de organização pelo qual o Brasil precisa passar. Nesse sentido, o presidente eleito tem uma grande chance de trazer o seu discurso eleitoral para a realidade.


Foi notícia recentemente, no jornal O Globo, que Jair Bolsonaro terá direito a um generoso rendimento total a partir do próximo ano: algo superior a 60 mil reais. Esse total, dentro dos limites da lei, seria resultado da aposentadoria parlamentar a que ele tem direito, do salário de presidente e dos seus rendimentos como capitão reformado. Destaca-se, é verdade, que não há nenhum impedimento legal para esses proventos. Mas seria coerente, depois de alimentar um discurso de combate aos marajás (como é conhecida a elite do serviço público que recebe supersalários), o presidente eleito não abrir mão, por exemplo, da aposentadoria de parlamentar? Embora muitos recebam, existem políticos no Brasil que abriram mão desse e de outros ridículos benefícios.


Em tempos de necessidade de equilíbrio das contas públicas, é necessário que os altos agentes do Executivo possam dar o exemplo e mostrar ao povo que, de fato, estão dispostos a construir um país com maiores possibilidades de investimento e, consequentemente, "cortar privilégios". Essa, aliás, foi uma expressão que tomou conta do debate político no último processo eleitoral. É preciso que quem chegou ao poder, então, mostre que está realmente disposto a aparar os excessos de uma classe que, tradicionalmente, já dispõe de muitos privilégios.


No começo de novembro, quando entrou em debate o reajuste dos ministros do STF, Bolsonaro foi enfático ao dizer que via com "preocupação" o aumento. Alegou que é preciso tomar cuidado, nesse momento, com o controle das despesas do governo. O eleito agora começa a ter, portanto, chances de mostrar que está realmente decidido a mudar os rumos das benesses da classe política no Brasil. Sem essa de receber porque A, B ou C recebem. O capitão reformado foi eleito dentro do furacão da mudança. Sendo assim, é preciso mostrar compromisso com essa postura.


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