MANOEL NETO As eleições presidenciais de 2018 ocorrerão num contexto singular. Os principais partidos políticos definham em escândalos de corrupção e a classe, consequentemente, atravessa um processo de profundo descrédito. O quadro eleitoral se mostra pulverizado e isso possibilita o aparecimento de uma série de projetos, coerentes ou não, para devolver a paz ao país. O PT, em que pese a sua participação no ciclo de inclusão que o Brasil viveu depois da era Fernando Henrique Cardoso, mostra-se, hoje, lamentavelmente, como um dos principais obstáculos para o estabelecimento de um novo ciclo de progresso.
O Partido dos Trabalhadores, grande responsável por empunhar a bandeira da inclusão social, atravessa um momento difícil. Seu líder máximo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encontra-se cumprindo pena por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ainda assim, numa manobra quase que cega e inconsequente, foi registrado como o candidato da sigla à Presidência da República. É lamentável que, no contexto atual, quando o país precisa orquestrar um projeto forte de desenvolvimento, a fim de corrigir os rumos da controversa administração de Michel Temer, que assumiu após o impeachment da petista Dilma Rousseff, o PT se comporte como um grupo de políticos que visam apenas a uma coisa: o poder.
É de conhecimento público que Lula não será candidato. Não será por conta da lei que ele mesmo sancionou e defendeu como grande bandeira no combate à corrupção:
a lei da ficha limpa. Caberia ao PT, nesse momento, alinhar um projeto, ou apoiar algum, que unisse forças do seu campo em torno do debate para tirar o país da profunda crise que atravessa. Eis que a sigla, responsável por legitimar grande avanços no campo social desde a chegada ao poder, em 2003, faz exatamente contrário: joga o país num estado de incerteza sem precedentes quando, explorando a alta popularidade do ex-presidente, defende a sua inviável candidatura, deixando a população a mercê de chicanas jurídicas e sem saber como será o já nebuloso dia de amanhã.
O momento do país é grave. A violência, o desemprego, a saúde e a educação, entre tantas outras questões, clamam por socorro. O momento seria de união em torno de uma agenda que devolvesse prosperidade e colocasse o país novamente numa rota de crescimento. Lula, nesse momento, deve, dentro das garantias processuais previstas, acertar as contas com a justiça e provar a inocência que alega ter. É, agora, o seu papel institucional.
As forças populares que o conduziram ao poder não podem ser tratadas como massa de manobra em torno de um projeto que não tem viabilidade: o partido deve tratar a nação com respeito, parar de pensar no poder e olhar, mais do que nunca, para o futuro.