JOSÉ MATHEUS SANTOS
O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República, na TV Bandeirantes, mostrou, a dificuldade de boa parte dos candidatos em expressar com objetividades as propostas para os diversos assuntos, bem como a pouca profundidade nos temas, diante do alto número de candidatos e do pouco tempo para falar. Diante disso, é possível que já no segundo confronto, na próxima sexta (17) na RedeTV, às 22h, os postulantes sejam mais precisos.
O candidato Geraldo Alckmin (PSDB) se saiu bem após o debate de ontem, de maneira que esteve presente em boa parte do programa, questionado diversas vezes em todos os blocos. Enfatizou a necessidade de cortar gastos, de não vincular nomeações em estatais a indicações políticas e fez acenos necessários ao eleitorado nordestino, ao dizer que ajudou na Transposição do Rio São Francisco, e realmente é verdade. Quando era governador de São Paulo, ele emprestou bombas para auxiliar mais rapidamente nas estações de distribuição de água no semiárido nordestino.
Outro que se saiu bem no debate foi o candidato Ciro Gomes (PDT), mostrando rápido e bom raciocínio imediato nos confrontos. Foi prejudicado no início do debate, já que os candidatos evitavam falar com Ciro. Entre a segunda e terceira aparições dele o tempo foi de 1h15m. Os adversários também sabem do potencial do ex-governador do Ceará e em clara estratégia tentaram evitá-lo. Ciro conseguiu controlar um problema histórico dele: a língua solta e grande. Em campanhas anteriores, a própria língua o derrotava ao falar o que não deveria. O pedestista reforçou o discurso de que ajudará 63 milhões de brasileiros a saírem do SPC.
Henrique Meirelles (MDB) mal sabia de expressar, em péssima capacidade de convencimento e diálogo com pessoas que não são especialistas em economia. Não citou o presidente Michel Temer, de quem é aliado, e apenas falou do que fez junto com o ex-presidente Lula, de quem ele foi presidente do Banco Central, em período de estabilidade econômica no Brasil. Meirelles ainda atacou o DEM e o PSDB, partidos que fizeram críticas ao Bolsa Família. Henrique foi oportunista para acenar aos mais pobres, mas se esqueceu de que o DEM era aliado do governo atual que ele participou até abril. Crítica incoerente.
Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede) também foram bem no debate. O deputado fluminense enfatizou a questão da honestidade e da segurança pública, duas fortes bandeiras de sua campanha. Porém, esquivou-se de respostas sobre economia e a situação fiscal do país. Mal entrou em polêmicas, não teve tom agressivo. Com essas posturas, deve ter cativado seu eleitorado tradicional, porém precisa entrar bem em outros temas e se mostrar capacitado caso não queira ficar apenas com o atual grupo de eleitores. Marina foi a mesma de sempre: propondo o diálogo para temas polêmicos, como a liberação ou não do aborto, no entanto, não falou da questão ambiental, uma de suas fortes áreas de atuação. Assim, tentou superar a “pecha” impostas por adversários de que ela só sabe sobre o Meio Ambiente. A candidata ainda se mostra indecisa em temas, com dificuldade para expressar até sua própria opinião.
Álvaro Dias (Podemos) ficou o tempo todo usando Sérgio Moro de escora ao afirmar que convidará o juiz da Lava-Jato para ser seu ministro da Justiça. Só que não sabemos se Moro aceitará. É preciso ter cuidado com promessas. O atual senador do Paraná pediu tanto para o povo brasileiro “abrir o olho” já de madrugada, e parece não ter aberto o próprio. Guilherme Boulos (PSOL) foi frontal ao opositor Bolsonaro já no início do debate e tal postura permaneceu no andamento do programa na Band. O ativista do MTST se mostrou menos radical que candidatos do Partido Socialismo e Liberdade em campanhas anteriores e criticou os privilégios, a começar pela desigualdade no pagamento de impostos de bancos e dos trabalhadores comuns, problema que assola a sociedade brasileira.
Enquanto isso, o Cabo Daciolo (Patriotas) fez a alegria da internet, sendo o responsável pelo humor e lembrando debates em grupos de família no Whatsapp.
O adendo final que faço é que a corrupção, pauta presente no noticiário constantemente nos últimos 4 anos, não esteve presente com a necessidade que deveria estar no debate. Modéstia à parte, este que vos escreve já imaginava que tal fato acontecesse. Melhor não chorar, mas rir. Daciolo que o diga.
DEBATE PARALELO
Como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pode participar do debate, pois está preso em Curitiba, condenado em segunda instância na Operação Lava-Jato, o candidato a vice, pelo menos de fachada, Fernando Haddad, que assumirá o posto de candidato petista quando Lula for oficializado como inelegível, fez um debate nas redes sociais do PT junto com Manuela D'Ávila (PCdoB), que será a vice de Haddad. A transmissão foi simultânea ao debate da Band. Em dado momento, no Twitter, apenas cerca de 180 pessoas visualizaram o diálogo. Um fiasco. Inclusive, o PT vai insistir com a ilusória candidatura de Lula e vai ficando ausente dos debates. Os membros da sigla petista estão perdidos.