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Reta final das Eleições: Qual o saldo?

Chegada a reta final da corrida eleitoral para presidência, torna-se cada vez mais nítido que a modernização ocupou, também, esse espaço dentro da sociedade. A última pesquisa veiculada pelo Datafolha, noticiada aqui pelo PortalRCF,  demonstra uma distância sólida entre Bolsonaro e Haddad e é aterrador pensar que o primeiro lugar das pesquisas conquistou (e ainda conquista), coordena e lida com todo seu eleitorado por meio, majoritariamente, da internet.

Dentro de todo este cenário, diversas são as estratégias elaboradas pela esquerda militante para desbancar o adversário. Recentemente, muito do que se tem levantado circula entre as acusações, contra Jair, de disparo de Fake News. Além das acusações em si, a ironia e o deboche contra as fontes de conhecimento, por assim dizer, dos eleitores da direita são ações frequentes para tentar minimizar o insucesso escancarado nas pesquisas.

Acredito, no entanto, que ambas essas ações lutam contra um fenômeno que não é atual e muito menos tem como pioneiro o candidato Bolsonaro. É óbvio, mas importante ressaltar, que isso não desculpa o candidato, de modo que se condenado, deve ser em absoluto responsabilizado. Talvez a modernidade tenha trazido nomes a hábitos antes escondidos, dando ares de novidade. Sucede que, dentro do espectro político brasileiro, a sociedade eleitora, em sua maioria, historicamente constrói seu conhecimento sob uma figura, uma pessoa. Antes, determina-se a pessoa; depois, acontece a formação do conhecimento e das verdades em que se acreditarão.

O processo de construção das ideologias e verdades políticas da população acontece, então, a partir da figura de alguém. Quase que com um caráter bíblico, essa figura é posta em um pedestal que rege essas verdades e torce os discursos para enquadrar tudo dentro da ideologia defendida. Imaginemos o que ocorreu com Lula em uma das suas primeiras candidaturas.

Um de seus principais crítico, Enéas Carneiro, frequentemente apontava a baixa escolaridade de Lula como circunstância que inviabilizaria seu governo e, ainda mais, a própria valorização à educação em seu mandato. Em resposta a isso, tanto a imprensa quanto o próprio Lula, ironizavam a crítica feita pelo opositor, atribuindo a esta fala tons de soberba, reforçando que a capacidade de articulação política e de governabilidade não tinha vínculo qualquer com a escolarização em si.

Ironicamente (e isso não depende da minha concordância), dentro das mais variadas críticas feitas pela militância esquerda contra Bolsonaro está aquela que aponta justamente o seu currículo extremamente enxuto, em detrimento ao de Haddad, absolutamente extenso e com diversas qualificações. 

Este é apenas um dos inúmeros exemplos e o ponto aqui não é a defesa de um ou de outro candidato, mas tentar trazer à luz que este fenômeno de seletividade das verdades em que se creem é antigo e já muito usado por todos os “lados” políticos. A crença absoluta em Bolsonaro e nos influenciadores que o apoiam bebe deste fenômeno. Alguém com presença, que fala com convicção, que debruça-se sobre discursos populistas. Esse alguém conduz a “consciência coletiva” dos seus seguidores.

É essa, ao meu ver, uma das razões das falas de Harvard, do Papa Francisco, e dos diversos outros expoentes que já se manifestaram contra Jair não moverem uma palha sequer no seu eleitorado. Do contrário, segue aumentando. Não importa o currículo, a posição, o status acadêmico. O grau de relevância que recebem essas falas não se compara ao que recebem as correntes de Whatsapp, as lives dos influenciadores preferidos, os tweets do presidenciável. Isso pelo fato de que importa a pessoa, não sua qualificação. Esta característica vem depois, reforçando a empatia já conquistada.

Essa maneira com a qual a maioria da sociedade lida com a política no Brasil nos põe a pensar que talvez não estejamos tão evoluídos, tão “politizados” assim. Que ainda há muito chão a caminhar para que deixemos a posição de passivos e tornemo-nos ativos na formação do nosso próprio pensamento.
            
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