MANOEL NETO Geraldo Alckmin encalhou. Apesar de razoavelmente bem avaliado no governo paulista, não conseguiu mostrar potencial de crescimento. As contradições internas do PSDB e o envolvimento de Aécio Neves, outrora o principal expoente da legenda, praticamente sepultaram as chances da legenda em 2018.
As dificuldades para que houvesse uma unidade em torno da sua candidatura foram grandes. Em 2017, num momento onde o nome do ex-governador de São Paulo demorava a engrenar, por muitas vezes, ventilou-se a ideia de que uma ala tucana defendia a troca, na corrida presidencial, de Alckmin por Doria, o midiático ex-prefeito paulistano e hoje candidato a governador de São Paulo. O empresário tinha sido eleito com boa margem em 2016 e gozava de prestígio do eleitorado paulista, principal reduto do PSDB no Brasil. O tempo passou, a administração Doria na prefeitura passou a mostrar suas contradições e, diante da inviabilidade do nome do ex-prefeito e da boa capacidade de articulação de Alckmin, foi construída a candidatura tucana à Presidência.
O problema é que o envolvimento de Aécio Neves com atividades suspeitas, a participação do PSDB no governo Temer e o próprio sentimento de renovação minaram a viabilidade da candidatura de Alckmin. A sociedade clama, hoje, por mudanças estruturais. Com um grande arco de alianças formado junto com os partidos do chamado Centrão, o ex-governador, detendo quase metade do guia, esperava engrenar. Coisa que não aconteceu, pois, em franca queda, ele conta, na pesquisa Ibope divulgada na terça-feira (18), com o apoio de ínfimos 7% dos entrevistados. Pouquíssimo para quem esperava ser o candidato mais competitivo da chamada centro-direita, uma vez que essa ala procura unir, em seu discurso, uma visão plural de políticas públicas e uma ideia firme de responsabilidade econômica e fiscal
A menos que aconteça algum fato bombástico, Alckmin não irá ao segundo turno. O que não chega a ser uma surpresa, visto que a candidatura nunca empolgou e, diante da pulverização de candidaturas de centro-direita, sempre oscilou, em todas as pesquisas, dentro da mesma margem, com teto de 10 pontos, situação que o deixa bem longe do segundo turno. Ao que tudo indica, haverá um rompimento da polarização clássica vigente no Brasil desde a redemocratização: se, de um lado, o PT, mesmo envolvido nos mais obscuros esquemas e usando das mais baixas estratégias, conseguiu manter um espólio fiel, não se pode dizer o mesmo dos tucanos, que caminham para amargar sua performance mais vergonhosa em eleições presidenciais. *Durante a eleição, escreve todas as terças para o PORTAL RCF.