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Yuri Mendes: A maneira mais certa de decidir por um candidato, neste momento, é pesquisa o passado dele

A política nacional passa por um momento absolutamente ímpar nesse período eleitoral: fragilidade democrática, a polêmica (para falar o mínimo) prisão do ex-presidente Lula, o exponencial crescimento do controverso candidato Jair Bolsonaro são algumas poucas variáveis que tornam o processo eleitoral de 2018 decisivo.


Nesta toada, é cada vez mais imprescindível a análise cuidadosa das propostas dos presidenciáveis. Curioso (ou previsível) é que, com algumas poucas exceções, as propostas têm se mostrado excessivamente superficiais, sem um conteúdo robusto para que se entenda o que propõe de fato o candidato.


Quanto a isso, me proponho a duas reflexões: a que serve a superficialidade; sobre o conteúdo aparentemente contraditório das propostas.


As propostas elaboradas pelos candidatos não surgem do nada. Sequer a maneira como são colocadas são frutos do acaso. Cada movimento é medido milimetricamente por diversas mentes, de modo a eloborar um material que traga as atenções para o candidato. Dessa sorte, o fato de se mostrarem superficiais as propostas dos presidenciáveis fala muito mais, na verdade, da população que é alvo da proposta, do que do candidato que propõe.


Passamos por uma momento onde se compartilha uma espécie de cultura da desatenção. As redes sociais, a informação em tempo real, o conteúdo visual em plataformas de vídeos tomando espaço em relação ao conteúdo escrito... Tudo isso influencia a nossa aversão ao que é profundo, a uma leitura densa, a dar atenção de fato ao que se faz. Então pensemos: qual a vantagem de oferecer densidade a quem quer consumir supercialidade? Em que cresce a campanha de um presidenciável se ele dá aos seus eleitores algo que eles não irão consumir?


Além disso, as propostas dos candidatos tem flertado com os extremos a população tem solicitado.


Historicamente, a sociedade brasileira iniciou, com os governos de Getúlio Vargas, um processo de dependência funcional do Estado para viver. Este Estado grande, este governo excessivamente presente na organização da sociedade passou, ao longo dos anos, de funcional à uma dependência quase emocional. A população deposita no governo as expectativas de qualquer demanda, por mais pessoal que ela seja.


Esse hábito, apesar de marcadamente ainda presente em nosso meio, tem encontrado um oponente. Notório dentro do processo político atual é a solcitação de um Estado mais distante, menos influente na oranização da sociedade e do país. No meio dessa contradição de demandas, os candidatos propõem para os dois lados. De maneira solta e desconexa, vemos pontos que garantem uma redução significativa nos impostos e da atuação do Estado, por exemplo, ao lado de outros que garantem um investimento maçiço em educação, saúde, economia e segurança.


Apesar da contradição nítida nas propostas, uma fonte em que não há risco de se encontrar mentiras ou superficialidades é o passado dos candidatos. Nessas eleições, bem como em qualquer outra, a pesquisa acerca do passado do candidato parece ser a “proposta” mais reveladora de cada um deles. É onde temos acesso ao que de fato pensam, como agiram, como costumam agir.


A partir do que se tem mostrado nos debates iniciais e nas propostas publicadas, a maneira mais certa de decidir de maneira pensada é recorrer a meios alternativos de pesquisa, como a pesquisa do passado do candidato. Lutar contra a superficialidade é um desafio, mas absolutamente necessário se realmente pretendemos que o país evolua em algum sentido após estas eleições.


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