Segunda mulher a presidir STF, Cármen Lúcia deixa cargo nesta quinta

A ministra Cármen Lúcia encerra hoje (13) seu mandato como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) após dois anos em que controlou de perto a pauta de julgamentos e teve que lidar, em mais de uma oportunidade, com embates entre o Judiciário e os outros poderes. Ela será substituída pelo ministro Dias Toffoli.

Cármen Lúcia deixa também o posto de presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A ministra foi a segunda mulher a ocupar ambos os cargos – a primeira havia sido a ministra Ellen Gracie, já aposentada. Nessa condição, Cármen Lúcia promoveu políticas que visaram atender lacunas na prestação de atendimento às mulheres no Judiciário.

Uma semana antes de deixar o comando do CNJ, por exemplo, apresentou e obteve aprovação de três novas resoluções que dizem respeito às mulheres, instituindo políticas de combate à violência doméstica e de incentivo à participação feminina em cargos de comando no Judiciário e regulamentando a atenção a gestantes e lactantes em unidades prisionais.

Em mais de uma oportunidade, Cármen Lúcia afirmou, fosse em plenário ou em eventos sobre o tema, que o fato de presidir o STF foi um fato “excepcional”, não refletindo uma mudança real na situação desprivilegiada da mulher brasileira. “Há enorme preconceito contra a mulher no Brasil”, afirmou na primeira sessão plenária que presidiu, em 14 de setembro de 2016, um dia depois de tomar posse.

Em maio de 2017, também em plenário, Cármen Lúcia reclamou da interrupção exacerbada dos ministros em relação a ela e a Rosa Weber, as duas únicas mulheres da Corte. “Em geral, eu e a ministra Rosa, não nos deixam falar”, disse durante um julgamento. Em uma entrevista recente, ela afirmou não ceder “diante de pressões pelo fato de ser mulher”.

Crise carcerária

Três meses após assumir, Cármen Lúcia precisou lidar com uma crise aguda na já crônica situação precária das prisões brasileiras. Em janeiro de 2017, ao menos 133 detentos foram mortos em rebeliões, alguns decapitados.

Responsável por supervisionar o sistema prisional, o Judiciário foi alvo de cobranças. Numa tentativa de desafogar o sistema, Cármen Lúcia convocou todos os tribunais do país a fazer um esforço concentrado para julgar os processos dos presos provisórios, sem condenação e que representam mais de 40% do total de detentos.

Cármen Lúcia também adotou, nessa área, uma postura em que se manteve como protagonista: ela fez visitas a 20 unidades prisionais, em 17 estados, ao longo de seu mandato.

Em outra frente, a ministra implantou o Banco Nacional de Monitoramento de Prisões 2.0, com o intuito de suprir a carência de dados fidedignos e atualizados sobre a realidade carcerária no Brasil. Ao deixar o CNJ, a ministra entrega a ferramenta com as estatísticas em tempo real de 25 das 27 unidades da Federação.

Centralização

Ao longo de dois anos, nos bastidores dos gabinetes do Supremo, o comentário mais recorrente diz respeito ao caráter centralizador da ministra. Na gestão Cármen Lúcia, a definição da pauta de julgamentos passou a ter menos influência da vontade coletiva dos ministros, ficando mais a critério da presidência da Corte.

Em momentos mais agudos, ministros chegaram a criticá-la publicamente. Foi o caso, por exemplo, do episódio envolvendo os mais antigos, como Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, que expressaram em entrevistas e no plenário contrariedade por ela não pautar alguns processos, entre eles as ações declaratórias de constitucionalidade (ADC´s) sobre execução de pena após condenação em segunda instância.

Em um sinal dessa menor sinergia entre os gabinetes, Cármen Lúcia viu subir a temperatura dos desentendimentos entre seus pares durante sua gestão. O ápice ocorreu durante um embate de ofensas diretas protagonizado, em plenário, por Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, que chegou a chamar o colega de “mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia”.

Ao assumir, Toffoli levantará a bandeira da pacificação como um dos objetivos de sua gestão.

Embates

Cármen Lúcia se deparou com embates tanto no ambiente interno quanto fora da Corte. Pouco depois de ela assumir, uma decisão do ministro Marco Aurélio Mello colocou Judiciário e Legislativo em rota de colisão.

Em dezembro de 2016, Marco Aurélio Mello determinou, liminarmente, o afastamento do então presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), do comando da Casa. Ele tomou como base uma maioria de seis ministros, formada em julgamento no plenário no mês anterior, para vedar que réus ocupassem cargos na linha sucessória da Presidência da República.

Ao final, Calheiros decidiu não cumprir a liminar, causando constrangimento entre os poderes. A solução costurada internamente foi o decano do STF, ministro Celso de Mello, voltar atrás em seu voto, desfazendo a maioria anterior e dando respaldo para a permanência do senador no cargo. A imagem do Supremo saiu chamuscada do episódio.

Em setembro do ano seguinte, o Senado voltaria a desafiar uma decisão do STF, dessa vez proferida pela Primeira Turma, que ordenou o afastamento de Aécio Neves(PSDB-MG) do cargo de senador.

Mais uma vez, Cármen Lúcia operou para contornar a situação e pautou em plenário uma ação na qual os ministros decidiram que qualquer medida cautelar contra parlamentar precisaria de aval do Congresso, o que manteve Aécio no cargo. O episódio foi lido como uma derrota do Judiciário ante as reações de parlamentares contra a Lava Jato.

Ao longo de seu mandato, a ministra teve também de administrar embates com o Executivo, como a suspensão de um indulto natalino editado pelo presidente Michel Temer concedida por Luís Roberto Barroso via liminar. Outra ocasião que levou a acusações de interferência indevida do Judiciário ocorreu quando o Supremo barrou a posse da deputada Cristiane Brasil (PDT-RJ) como ministra do Trabalho.

Foro privilegiado

Mesmo com o desconforto institucional, Cármen Lúcia levou adiante um pleito antigo de diversos ministros que passaram pelo STF nas últimas décadas: uma restrição maior do foro por prerrogativa de função, também conhecido como foro privilegiado.

Ela pautou um recurso relatado por Luís Roberto Barroso, no qual o ministro sugeriu que, no caso de congressistas, somente permanecessem no STF casos relacionados a crimes suspeitos de terem sido cometidos no exercício do cargo e em função dele.

Cinco longas sessões plenárias foram necessárias para que o tema fosse julgado. Na última, em maio, prevaleceu a tese de Barroso, por 7 votos a 4. Desde então, ao menos 230 processos envolvendo deputados e senadores foram remetidos a instâncias inferiores.

Muitos viram na restrição do foro uma resposta à reação dos políticos contra a Lava Jato, diante de projetos de lei em tramitação no Congresso que buscavam, ao menos na visão de magistrados e promotores, tolher a atuação do Judiciário. O PLS 85/2017, por exemplo, fora aprovado no Senado na semana anterior à restrição do foro, e pretendia tipificar o abuso de autoridade por parte de juízes e membros do Ministério Público, bem como restringir o uso da prisão preventiva.

A restrição do foro seria um troco do Judiciário, dado o fato de que um inquérito por corrupção leva muito mais tempo para ser julgado no STF do que na primeira instância. Desde então, o projeto sobre abuso encontra-se parado na Câmara.

Lava Jato

A ministra Cármen Lúcia preside sua última reunião ordinária no plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A ministra Cármen Lúcia preside sua última reunião ordinária no plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) - Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foi apenas na reta final da gestão de Cármen Lúcia, três anos após a Lava Jato chegar ao Supremo, que a Corte concluiu seu primeiro julgamento de uma ação penal na operação, ao condenar o deputado Nelson Meurer (PP-PR), em maio, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Nesse meio tempo, a operação sofreu um de seus maiores revezes, com a morte do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, em um trágico acidente aéreo, em 19 de janeiro de 2017.

Coube a Cármen Lúcia apaziguar os ânimos e assegurar o andamento da operação no STF. Ela conduziu os despachos interinamente e, em tempo hábil, determinou que os processos não seriam herdados pelo substituto de Zavascki, o que levaria mais tempo, e sim distribuídos a um novo relator, solução mais célere. O sorteado foi o ministro Edson Fachin.

Por outro lado, foi no período em que a ministra comandou a Corte que os escaninhos do Supremo foram abarrotados por quase 80 pedidos de investigação contra políticos feitos pela Procuradoria-Geral da República (PGR), com base na delação premiada da empresa Odebrecht.

Segunda Turma

Ao menos oito dessas investigações no Supremo foram arquivadas nos últimos meses, a mais recente delas envolvendo a senadora Kátia Abreu (PDT-TO), candidata a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes (PDT).

O arquivamento foi determinado na Segunda Turma do STF por força dos votos de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, trinca que nos últimos meses tem deixado Edson Fachin e Celso de Mello vencidos em julgamentos da Lava Jato.

Questionada, Cármen Lúcia confirmou que ao deixar a Presidência do STF deseja ir para a Segunda Turma, onde ocupará a cadeira deixada por Toffoli. Conhecida por ser dura no julgamento de ações penais, a expectativa é de que a ministra vire o jogo nas questões relativas à Lava Jato.

 



Toffoli toma posse hoje na presidência do STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli toma posse hoje (13) no cargo de presidente da Corte. A cerimônia de posse será às 17h, no plenário do Supremo. O ministro ficará no cargo pelos próximos dois anos. Ele irá suceder Cármen Lúcia.

Toffoli tem 50 anos e foi nomeado para o STF, em 2009, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes de chegar ao Supremo, o ministro foi advogado-geral da União e advogado de campanhas eleitorais do PT. VEJA TAMBÉM: Segunda mulher a presidir STF, Cármen Lúcia deixa cargo nesta quinta

Perfil pacificador

O ministro é conhecido por evitar polêmicas e por ter um tom pacificador em suas decisões. De acordo com os colegas da Corte, o novo presidente fará um trabalho ligado à gestão administrativa do Judiciário, por meio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que também comandará.

A partir da semana que vem, Toffoli comandará as primeiras sessões da Corte. Foram pautadas somente ações que tratam de licenciamento ambiental e ações de inconstitucionalidade contra leis estaduais.

A expectativa é de que pautas polêmicas não sejam julgadas antes das eleições de outubro. Segundo assessores próximos, o tribunal não deve julgar novamente a autorização para a execução de condenações criminais, fato que é defendido por advogados de condenados na Operação Lava Jato.

Para o ministro Gilmar Mendes, um dos integrantes da Corte que deram apoio inicial quando Toffoli chegou ao STF, o novo presidente poderá dar continuidade às políticas públicas do Judiciário.

“Eu tenho boa expectativa. O ministro Toffoli é muito voltado para a questão de gestão, dedicou-se a isso na AGU e também no TSE, tem um gabinete organizado, acho que fará uma boa gestão, tanto no Supremo como no CNJ. De alguma forma acho que para o Judiciário, na visão administrativa, o CNJ é até mais importante do que o Supremo, porque ele trata políticas judiciárias, define regulamentos do Judiciário como um todo, faz prioridades, portanto, acho importante ter um bom gestor à frente do CNJ para dar continuidade a políticas públicas que vem se desenvolvendo”, disse Mendes.

No mais recente balanço divulgado no final do ano passado, Toffoli informou que, em 8 anos, reduziu o acervo de seu gabinete em 77%. Quando chegou ao Supremo, o ministro tinha cerca de 11 mil processos em seu acervo. Atualmente, existem cerca de 2 mil.



Os apoios para o 'fato novo' na eleição estadual

Diante da disparidade entre os candidatos Paulo Câmara (PSB) e Armando Monteiro (PTB), chama a atenção a disputa propiciada pela terceira via nas eleições estaduais. Os candidatos Julio Lossio (Rede) e Maurício Rands (PROS) apresentam um leve crescimento diante das intenções de voto, e praticamente disputam "o posto do fato novo".


É notório que os candidatos que  apontam nas primeiras colocações na disputa, estão respaldados no suporte do "espólio" de votos do ex-presidente Lula, rechaçando apoio do presidente Michel Temer. O que é de certa forma paradoxal, quando levamos em consideração que os apoiadores de Lossio e Rands estão a frente do candidato de Lula na corrida presidencial.


O candidato da Rede Sustentabilidade vem "apadrinhado" pela ex-senadora Marina Silva, que inclusive já cumpriu  agenda com Julio no Estado. O ex-deputado Maurício Rands recebeu oficialmente o apoio de Ciro Gomes (PDT) durante agenda do presidenciável em Caruaru, "Rands é Ciro e Ciro é Rands", falou o pedetista no Agreste.


Pelo menos de acordo com as últimas pesquisas com intenções de voto para governador, o apoio de Marina e Ciro não será suficiente para que Lóssio e Rands apresentem uma crescente de sufrágios e ultrapassem os primeiros colocados. Entretanto, os pernambucanos já vivenciaram em 2006, um cenário parecido; quando o ex-governador Eduardo Campos despontou como terceira via e conseguiu ganhar a eleição. Portanto, impossível não é!

Resta saber se é isso que os eleitores irão decidir e o que pode acontecer até o dia 7 de outubro, já que há 12 anos surgiu, no meio da eleição, a acusação de desvios de recursos de Ministério da Saúde por parte do Ministério Público contra Humberto Costa, que estava em 2º lugar polarizando com o então governador Mendonça Filho. Posteriormente, Costa foi absolvido, porém as cicatrizes eleitorais aconteceram, os eleitores de Humberto migraram para Eduardo e este venceu o pleito para governador.

Veja reflexão acerca de números do Datafolha para presidente

A pesquisa Datafolha divulgada na noite dessa segunda-feira (10), primeira realizada depois do atentado contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL), já indicia algumas questões que podem ser esperadas para o dia do pleito, porém, o quadro ainda não se mostra totalmente definido.Uma situação que se mostra praticamente consolidada é a presença do candidato do PSL no segundo turno. Embora uma desidratação de Bolsonaro fosse a expectativa de entre analistas políticos, o capitão da reserva mostrou forte sedimentação dos votos no campo da extrema-direita e, apesar das recorrentes demonstrações de fraco conhecimento sobre a administração pública, goza hoje de um eleitorado fiel e que muito dificilmente o deixará fora do segundo turno.

Segunda questão importante é a queda de Marina Silva: com relação ao levantamento feito em 21/08, a candidata da Rede oscilou negativamente 5 pontos percentuais. Em um movimento semelhante ao da eleição de 2014, Marina, depois de um primeiro momento em boa margem, começa a perder protagonismo e vai sendo sombreada por outras figuras do quadro eleitoral. Com forte recall, em virtude da disputa de duas eleições presidenciais, a impressão que fica é que a ex-senadora desponta bem na opinião do eleitorado, contudo, com o aumento da exposição e debates, começa a perder fôlego, muitas vezes, em virtude de posições pouco incisivas em temas polêmicos. Além disso, a decisão de apoiar o tucano Aécio Neves, em 2014, ainda repercute de maneira negativa. Brigará pelo segundo turno, mas sem o mesmo protagonismo daqueles que, ao que parece, representarão o grande embate pela vaga do campo da centro-esquerda.

Terceira e última questão é a disputa pela vaga restante para o segundo turno. Ciro Gomes, embora enfrente resistência pelo temperamento explosivo e, recentemente, pela escolha de Kátia Abreu como vice, é o candidato da centro-esquerda que apresentou franco crescimento desde o começo da campanha. Oscilando positivamente três pontos percentuais desde a última pesquisa, o pedetista ultrapassou Marina Silva e hoje aparece como forte candidato a conseguir uma vaga para o segundo turno. Com experiência na administração e uma boa oratória, o ex-ministro tem conseguido angariar eleitores indecisos, porém, posicionamentos dúbios sobre questões como o papel do Judiciário e da operação Lava-Jato podem vir a prejudicar. Falta a Ciro, em alguns momentos, a prudência e a serenidade que são características marcantes de Marina Silva. Aliar, ao conhecimento que tem, uma boa dose de equilíbrio certamente traria resultados positivos.

A grande surpresa da pesquisa e incógnita do cenário eleitoral é Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, confirmado como o candidato do PT na eleição presidencial na tarde desta terça (11), algo que já era esperado por todos, uma vez que era pública e notória a tática do seu partido de protelar a decisão final, a fim de mexer com a emoção do seu fiel eleitorado. A questão que talvez muitos não esperavam era a eficiência da nefasta estratégia petista: Haddad, dos 4 pontos percentuais da pesquisa de 21/08, aparece agora com 9 pontos. Um crescimento de 5%, o maior entre todos os candidatos, mais que dobrando a pontuação. Esses indicadores deixam latente que a briga pelo espólio do ex-presidente Lula será certamente um fator decisivo na corrida presidencial. Além disso, mostra que a disputa pela vaga do campo da esquerda no segundo turno está plenamente em aberto, destacando o fato de que Lula, figura quase que mitológica entre boa parcela da população, será exaustivamente explorado na propaganda do PT. Até a eleição, sem dúvida, muita coisa pode mudar.

A conferir.






Numerologia: veja detalhes dos números de pesquisas do Ibope e do Datafolha

As pesquisas do Ibope e do Datafolha, divulgada respectivamente, na segunda (10) e na terça (11), mostram números e tendências parecidas em relação à disputa pela sucessão de Michel Temer na Presidência da República. Um primeiro ponto já está praticamente definido e só uma reviravolta mudará: o candidato Jair Bolsonaro (PSL) ratifica a cada dia a sua vaga no 2º turno no pleito de outubro.

Apesar de já destacado na liderança do primeiro turno, Bolsonaro tem uma discrepância acerca da análise por sexo. Entre os homens, ele chega a 35% no Ibope e 32% no Datafolha e é inatingível, considerando a margem de erro ele já é garantia de superar a barreira de 30%. No cenário do eleitorado feminino, começam as primeiras dificuldades do candidato do PSL que, mesmo internado após sofrer atentado a faca na semana passada, segue atuando nas redes sociais, seu maior trunfo de divulgação entre os eleitores. O atentado, inclusive, não modificou o jogo eleitoral, pois havia um temor, entre adversários, de que Bolsonaro crescesse para além da margem de erro e a rejeição reduzisse. Entre as mulheres, no Ibope, o capitão chega a 18%, em número bem abaixo quando comparado ao eleitorado masculino.

Na segunda posição, Ciro está à frente entre os homens e Alckmin entre as mulheres, mas os dois, junto com Marina e Haddad, que disputam a posição aparecem em cenário embolado. É notório também o crescimento do candidato Ciro Gomes (PDT), mas resta saber se isso será consolidado nos próximos dias. Pesquisa do Datafolha a ser divulgada na sexta-feira deve mostrar se isso é tendência ou estagnou. Ciro lidera no Nordeste brasileiro, puxado pelos eleitores que optam por uma saída “mais viável” para derrotar Jair Bolsonaro no 2º turno, já Haddad e Bolsonaro têm disputa acirrada. Ciro apresenta de 18 a 20% entre os nordestinos e irá para o embate com Haddad a fim de crescer ainda mais na região. O Nordeste será decisivo porque é aqui que se encontra em massa o espólio eleitoral de Lula. O candidato do PDT precisará se sair bem nos três debates de grande audiência que haverá pela frente: SBT, Record e Globo.

O candidato do PT, Fernando Haddad, apresentou postura agradável à cúpula do partido. Em alguns cenários, por exemplo, ele dobrou o percentual de votos, como nos eleitores entre 35 e 44 anos, em que o petista passou de 4 para 8 pontos. Entre os homens no geral, Haddad pulou de 4% para 9%. Entre as mulheres, o ex-prefeito paulistano pulou de 3% para 9% em triplo crescimento. Nos eleitores acima de 45 anos, até porque estes têm mais lembrança dos benefícios sociais do governo Lula, padrinho político de Haddad, este, no mínimo, dobrou os percentuais. Já era esperado no meio político que Haddad cresceria, visto que há uma parcela ‘lulista’ no eleitorado. Porém, apesar de ainda ter perspectiva de crescimento, pois ele vai explorar a imagem de Lula na tentativa de transferência de votos do líder para si, Haddad vai ser vítima de “bombardeios” por parte dos adversários. Nesta quarta-feira (12), Marina Silva (Rede) já deu o pontapé inicial ao declarar que Haddad é “uma nova Dilma”, no sentido de ser um “poste” do ex-presidente Lula.

A campanha do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) já afirma que o tucano voltará a atacar Jair Bolsonaro, alegando que já se passaram alguns dias após o atentado e os eleitores que não votam nele tampouco mudaram de posicionamento. Alckmin já afirmou na tarde desta quarta (12) que votar em Bolsonaro é “passaporte para a volta do PT”, tentando pegar o que é chamado de “voto útil” dos antipetistas.  Geraldo Alckmin deve seguir conselho de pessoas próximas e explorar o eleitorado de São Paulo, pois pode puxar seu número no Sudeste, que está em 12% no Datafolha e 10% no Ibope, visto que sua votação no Nordeste deve ser melancólica, em Pernambuco, por exemplo, o cabo eleitoral é Bruno Araújo, candidato tucano ao Senado, e que sequer chega aos dois dígitos nos levantamentos. Segundo a jornalista Andréia Sadi publicou em seu blog, o estafe campanha nacional tucana também pretende atacar Ciro Gomes, mas ainda não teve o aval de Alckmin, que considera Ciro um “amigo” e por quem diz ter respeito de “longa data”. O fato é que o alerta está ligado entre os membros do PSDB e aliados, pois Alckmin não chega a um número satisfatório mesmo tendo maior tempo de propaganda no rádio e na TV. Inclusive, com a prisão do ex-governador e candidato ao Senado pelo Paraná, Beto Richa (PSDB), nesta terça, e com a operação desta quarta contra o candidato à reeleição em Mato Grosso do Sul, o também tucano governador Reinaldo Azambuja, fica fragilizado o discurso de Alckmin de combate à corrupção.

Enquanto os outros ainda têm perspectiva de crescimento ou desejam, Marina Silva, a candidata mais conhecida dos eleitores com 91%, de acordo com o Datafolha, apresenta queda nas duas pesquisas e já foi ultrapassada por Ciro Gomes. Como se sabe, Marina ainda tem boa presença no eleitorado feminino e é uma das beneficiadas da saída do ex-presidente Lula. Na terça (12), ela disse que considera Lula um “corrupto” e isso pode prejudicar sua campanha se a campanha do PT explorar a sua fala. Marina apresentou queda de 23% para 13% dos votos no Norte, de onde é de nascença, enquanto, na mesma área regional, Haddad passou de 2% para 11 pontos percentuais, segundo o Ibope, em clara mudança de votos de eleitores. Nas outras regiões, Marina está entre 8% e 12%. A candidata da Rede apresenta tendência de queda nos números. Será que isso vai se confirmar? Na sexta, com a nova pesquisa DataFolha, saberemos.

Ipespe mostra Paulo com vantagem de 10 pontos

FOLHA DE PERNAMBUCO Liderando a segunda pesquisa de intenções de voto realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), em parceria com a Folha de Pernambuco, o governador Paulo Câmara (PSB) abriu vantagem de 10 pontos percentuais sobre o segundo colocado, o senador Armando Monteiro Neto (PTB). Na corrida pelo Governo do Estado, o socialista aparece com 35% das menções, contra 25% do petebista. Em agosto, o socialista tinha 30% , contra 24% do petebista. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95,45%.

O levantamento foi feito entre os dias 6 e 8 de setembro, ouvindo 800 entrevistados, a partir da metodologia face a face e contempla critérios de sexo, idade, instrução, renda e localidade. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números de protocolo BR-05453/2018 e PE-05575/2018.

A primeira parceria Ipespe/Folha ocorreu entre os dias 11 e 13 de agosto, servindo como base comparativa para o levantamento atual. Nesse sentido, o número de indecisos aumentou de 8% para 11%, enquanto o número de brancos e nulos caiu de 27% para 23%.

O candidato do Pros, o ex-deputado federal Maurício Rands oscilou negativamente dentro da margem de erro e aparece com 2%. O ex-prefeito de Petrolina, Julio Lossio (Rede), também variou negativamente, surgindo com 2% das intenções de voto no quadro mais recente. A candidata do Psol, Dani Portela, registrou apenas 1%, dois pontos a menos do que no primeiro momento. Simone Fontana (PSTU) perdeu um ponto, ficando com 1% das citações. Já Ana Patrícia Alves (PCO), que não apareceu na primeira escuta, obteve 1% das menções.

O governador Paulo Câmara tem o seu melhor desempenho na faixa etária de 16 a 24 anos, onde registra 40%. O socialista tem uma performance semelhante no eleitorado com renda de até dois salários mínimos, com 38%. O senador Armando Monteiro, por sua vez, chega a 33% nos eleitores com curso superior - sua melhor pontuação. No segmento masculino, o petebista tem 31%, a sua segunda melhor posição. Na faixa de renda entre 2 e 5 salários mínimos, Paulo e Armando registram, cada um, 30% das intenções de voto.

Os demais candidatos dificilmente passam de 2% das intenções de voto nos mais variados segmentos captados pela pesquisa. Maurício Rands chega a 7% no eleitorado com curso superior, faixa onde a candidata do Psol, Dani Portela, atinge 4%. Julio Lossio também alcança 4% no eleitorado com renda entre 2 e 5 salários mínimos. O maior índice de brancos e nulos está presente entre os moradores da periferia, com 34%. A maior concentração de indecisos, 19%, está no eleitorado idoso - com 60 anos ou mais.

Na escuta espontânea, o governador Paulo Câmara também cresceu 10 pontos, saindo de 13% para 23%, firmando-se na liderança. O senador Armando Monteiro Neto cresceu de 7% para 13%. Julio Lossio foi a 2% das menções, já Maurício Rands e Dani Portela tiveram 1%, cada. O número de indecisos ficou em 39%, sendo três pontos percentuais a menos do que o levantamento anterior. O número de brancos e nulos ficou em 21%.



Julio Lóssio promete bônus salarial para professores

Candidato ao Governo de Pernambuco pela Rede, Julio Lóssio assumiu um importante compromisso com os servidores públicos pernambucanos. A partir de 2019, professores da rede pública, policiais e agentes comunitários de saúde vão receber um bônus nos seus salários. O anúncio do benefício – cujo objetivo é a valorização das categorias e o consequente aumento da produtividade – foi feito em entrevista ao NE 1, da TV Globo, hoje. Em seguida, o postulante também concedeu entrevista ao G1.

De acordo com Lóssio, os profissionais que lidam diretamente com as pessoas terão um tratamento diferenciado em sua gestão. Conforme sua proposta, os policiais que estiverem nas ruas e os professores que trabalharem nas salas de aula receberão um bônus salarial como incentivo.

O candidato irá propor parceria com os municípios para que os agentes comunitários de saúde possam atuar em cinco áreas específicas: pré-natal, hipertensão e diabetes, câncer de colo, câncer de mama e câncer de próstata. Cada meta cumprida será referente a 20% do valor total do bônus de um salário mínimo.

“Esse programa será realizado com a adesão das prefeituras, cobrando essas cinco iniciativas. Nós já temos os agentes comunitários de saúde, sabemos onde eles estão e a área onde cada um deles atua. Fui prefeito durante oito anos, sou o que tem mais experiência na gestão pública e estudei isso, portanto sei que temos capacidade de desenvolvê-lo. No meu governo o servidor público será valorizado”, ressaltou.

Ibope: Bolsonaro tem 26% e 2º lugar tem quatro candidatos empatados

O Instituto Ibope divulgou nesta terça-feira (11) nova pesquisa de intenção de votos para os candidatos a presidente. De acordo com a pesquisa, Jair Bolsonaro (PSL) tem 26% das intenções de voto. Na sequência, há quatro candidatos tecnicamente empatados disputando o segundo lugar: Ciro Gomes (PDT) com 11%; Marina Silva (Rede), 9%; Geraldo Alckmin (PSDB), 9%; e Fernando Haddad (PT), 8%.

Após esse grupo, seguem tecnicamente empatados com 3% das intenções de voto: Alvaro Dias (Podemos); João Amoêdo (Novo); e Henrique Meirelles (MDB). Vera Lúcia (PSTU) e Cabo Daciolo (Patriota) foram indicados por 1% dos eleitores.

Segundo o Ibope, Guilherme Boulos (PSOL), João Goulart Filho (PPL) e Eymael (DC) não pontuaram. O percentual de votos em branco ou nulos é de 19%. Sete por cento dos entrevistados não sabem ou não quiseram responder.

Entre as duas pesquisas Álvaro Dias e João Amoêdo mantiveram 3% das intenções de voto, e Henrique Meirelles oscilou de 2% para 3%. A proporção de votos nulos ou em branco caiu de 21% para 19%. O percentual de quem não sabe ou não quis declarar a intenção de voto manteve-se em 7%.

A pesquisa tem margem de confiança de 95%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos de cada resultado apurado.

A pesquisa foi feita entre 8 e 10 de setembro, dois dias após o ataque a faca contra Jair Bolsonaro em Juiz de Fora (MG). Foram ouvidos 2.002 eleitores. Não foi informado o número de municípios. Conforme registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa é iniciativa do próprio Ibope Inteligência Pesquisa e Consultoria Ltda e tem o número BR-05221/2018.

Comparação

Os resultados obtidos pela pesquisa foram comparados com os dados colhidos no levantamento realizado entre 1º e 3 de setembro pelo Ibope. Na comparação, Bolsonaro oscilou de 22% para 26%. Ciro Gomes caiu de 12% para 11% e Marina de 12% para 9%. Geraldo Alckmin manteve-se com 9% das intenções de voto e Fernando Haddad subiu de 6% para 8%.

Entre as duas pesquisas, Álvaro Dias e João Amoêdo mantiveram 3% das intenções de voto, e Henrique Meirelles oscilou de 2% para 3%. A proporção de votos nulos ou em branco caiu de 21% para 19%. Vera Lúcia manteve 1% das intenções de voto nas duas pesquisa. Cabo Daciolo subiu de 0% para 1%. Já Guilherme Boulos e João Goulart Filho passaram de 1% para sem pontuar. Eymael não pontuou nas duas pesquisas.

O percentual de quem não sabe ou não quis declarar a intenção de voto manteve-se em 7%.

Simulações de 2º turno

Ciro 40% x 37% Bolsonaro (branco/nulo: 18%; não sabe/não respondeu: 4%)

Alckmin 38% x 37% Bolsonaro (branco/nulo: 21%; não sabe/não respondeu: 4%)

Bolsonaro 38% x 38% Marina (branco/nulo: 20%; não sabe/não respondeu: 4%)

Haddad 36% x 40% Bolsonaro (branco/nulo: 19%; não sabe/não respondeu: 5%)

 

REJEIÇÃO

Bolsonaro: 41%

Marina: 24%

Haddad: 23%

Alckmin: 19%

Ciro: 17%

Meirelles: 11'%

Cabo Daciolo: 11%

Eymael: 11%

Boulos: 11%

Vera: 11%

Amoêdo: 10%

Alvaro Dias: 9%

João Goulart Filho: 8%

Poderia votar em todos: 2%

Não sabe/não respondeu: 11%


Veja resumo da entrevista de Armando Monteiro ao NE1

O restabelecimento da autoridade do governador como comandante em chefe da segurança do Estado é a chave para a redução efetiva dos índices de violência que têm tirado a tranquilidade dos pernambucanos. Esta foi a mensagem-chave passada pelo candidato ao governo pela coligação Pernambuco Vai Mudar, senador Armando Monteiro (PTB), em sabatina na tarde desta segunda 10, durante o NETV1, na Rede Globo Nordeste. “Nós vamos assumir a coordenação, restabelecer a autoridade e resgatar o Pacto pela Vida”, afirmou Armando ao apresentador Márcio Bonfim.

“O tema da segurança é central: 16.400 pernambucanos perderam a vida nos últimos três anos e meio. Esse ano nós já temos 2.800 mortes. Nós temos 1.600 assaltos a ônibus registrados esse ano. E uma média de quase seis estupros por dia”, citou Armando, para, logo em seguida, explicar como pretende recuperar os ganhos obtidos no Estado durante o governo Eduardo Campos (2007-2013): “Criar o Comando Cidadão vinculado diretamente ao Gabinete do Governador. Coordenar as ações. Motivar os policiais, oferecendo a eles, naturalmente, condições mais adequadas, criando centrais de comando e inteligência, implantando as patrulhas rurais, porque hoje quem mora no interior de Pernambuco também vive sobressaltado”.

Armando criticou a falta de comando do governador Paulo Câmara, que permitiu o aumento dos índices de criminalidade. “A principal mensagem é a seguinte: o governador de Pernambuco vai assumir a questão. Não vai ficar atrás do balcão. Vai para linha de frente, coordenar os esforços, mobilizar a sociedade, investir em inteligência e não ficar como ocorreu nos últimos anos, culpando a crise por esses problemas”, prosseguiu. “Nós temos condições, nessa área de segurança, de fazer investimentos. Instalar um centro de comando e inteligência, que é uma experiência que Goiás já adotou. Cada centro representa um investimento de 10 milhões de reais. Não é algo fora de propósito. Colocar as delegacias para funcionar 24 horas é uma coisa concreta”.

O candidato também propôs a substituição dos policiais militares que atuam em funções administrativas por quadros oriundos das Forças Armadas. “Podemos ampliar os efetivos, colocando em funções administrativas, por exemplo, egressos do serviço militar. Em vez de você ter policiais treinados fazendo funções administrativas, na retaguarda, vamos liberá-los para que eles possam ir para rua. E vamos colocar nessas funções jovens ou pessoas egressas do serviço militar. É uma medida prática, que implica em usar o efetivo, que já é da folha do Estado. Não significa aumento de gastos”, arrematou.



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