Desencontros entre os discursos marcam a campanha de Jair Bolsonaro

MANOEL NETO

Sobretudo da metade para o final, a campanha de Jair Bolsonaro foi marcada por uma série de declarações desencontradas entre os membros do seu alto escalão, o que revela um certo nível de improvisação e, muitas vezes, de amadorismo. O primeiro colocado nas pesquisas precisará, em vencendo o pleito próximo, demonstrar um eficiente poder de articulação em torno da organização do seu núcleo próximo. O grande problema, entretanto, é que o candidato, pelo menos no momento, não tem conseguido fazer isso.

Os ruídos ocorreram, principalmente, após o trágico evento em Juiz de Fora, onde Bolsonaro levou uma facada e ficou, por condições clínicas, de fora dos eventos de campanha desde então. Entraram em cena dois personagens polêmicos da campanha: Paulo Guedes, consultor econômico, e o General Mourão, que ocupa o posto de vice na chapa. O economista, em evento fechado, deu a entender que pensava na volta de um imposto único e nos moldes semelhantes aos da CPMF, a qual já recebeu, em uma oportunidade, posição contrária do ex-deputado. Mourão, por sua vez, foi protagonista de dois polêmicos momentos pós-atentado: já deu a entender, em um dos momentos mais bizarros da campanha, que casas chefiadas por mães e avós são “fábricas de desajustados”, além da sua curiosa sugestão de que o 13º salário, direito garantido pela Constituição, seria um peso. Diante das controvérsias, os dois foram blindados, evitando os compromissos públicos. Postura cara a do próprio Bolsonaro, que já admitiu a possibilidade de não ir aos próximos debates por “estratégia”.

Tudo na campanha soa bastante artificial. Um bom presidente não é aquele que domina todos os assuntos, mas sim o que consegue, com um bom conhecimento geral e poder de articulação, aglutinar forças em torno de um projeto comum. Os constantes confrontos de posição evidenciam que falta essa essência à candidatura de Bolsonaro: além de um militar pouco comedido na vice, a própria ideia de Estado de Paulo Guedes, economista conhecidamente liberal, entra em confronto com a posição estatizante do candidato. A única saída encontrada para fugir das polêmicas foi o sumiço público, coisa que não poderá ocorrer caso o capitão da reserva chegue à presidência. Os conflitos são imensos e, pelo menos até agora, não parece claro como Bolsonaro conseguirá equilibrar os pontos demasiadamente antagônicos do grupo.

Bolsonaro tem 18% de vantagem sobre Haddad nos votos válidos, mostra Ibope

Nova pesquisa de intenção de votos do Ibope indica que o candidato Jair Bolsonaro (PSL) tem 59% das preferências contra 41% das menções a Fernando Haddad (PT), considerando apenas os votos válidos, não computando as respostas de votos em branco, nulo ou indeciso.

Levando em conta todas as respostas da pesquisa de opinião, Bolsonaro lidera com 52% das intenções de voto e Haddad tem 37% das preferências. Conforme o levantamento, 9% responderam estar dispostos a anular ou votar em branco, e 2% disseram não saber ou não quiseram responder.

Votos convictos

Além de perguntar aos entrevistados quem é seu candidato preferido, o Ibope procurou medir o potencial de voto de cada um dos concorrentes. Após citar o nome de cada um dos candidatos, os entrevistadores perguntaram se votariam em cada um dos candidatos “com certeza”, se “poderiam votar” ou “se não votariam de jeito nenhum”. Jair Bolsonaro é o candidato com mais votos declarados e convictos: 41% disseram que votariam nele “com certeza”. O percentual de voto “certo” em Haddad é de 28%.

Rejeição

Diferente dos resultados apurados pelo Ibope no primeiro turno, o índice de rejeição de Jair Bolsonaro é menor em comparação ao de Fernando Haddad. Trinta e cinco por cento não votariam de jeito nenhum no candidato do PSL, enquanto a rejeição do petista é de 47%.

O levantamento do Ibope ouviu 2.506 pessoas no sábado e domingo (13 e 14 de outubro). Como outras pesquisas de intenção de voto do instituto, a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A margem de confiança é de 95%.

A pesquisa do Ibope, contratada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela Rede Globo, foi registrada na semana passada na Justiça Eleitoral (BR-01112/2018). No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão disponíveis o questionário do levantamento e os locais onde a pesquisa foi aplicada.



Haddad busca o centro e prega estabilidade democrática no 2º turno

Na primeira semana da fase decisiva da eleição presidencial, o candidato Fernando Haddad (PT) fez movimentos em busca de aproximar partidos e setores de centro. O petista aposta também em uma estratégia de se demonstrar como a alternativa mais segura para garantir a estabilidade democrática no país.

A prioridade do PT ao longo dos últimos dias foi tentar consolidar os apoios políticos para o segundo turno e ajustar o tom da campanha nessa etapa. Haddad conseguiu apoio do PSOL, PPL, PSB e do PDT, este último a legenda de Ciro Gomes, terceiro colocado no primeiro turno.

O pedetista, apesar de ter anunciado o voto em Haddad, não deve participar ativamente da campanha e viajou na quinta -feira (11) para a Europa, onde passará alguns dias de férias, segundo a assessoria.

Também houve um encontro com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, filiado ao PSB, e que chegou a ser cotado para sair candidato a presidente. A expectativa da campanha petista é que ele possa declarar apoio a Haddad e até mesmo participar da campanha ou do programa eleitoral.

Eleitor de centro

Haddad também recebeu uma carta de apoio de integrantes do PSDB, mesmo o partido tendo formalmente anunciado que ficará neutro no segundo turno. Há ainda a expectativa em torno de uma aproximação mais explícita entre o petista e o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso (FHC), já que os dois mantêm uma boa relação.

No âmbito programático, o PT recuou em relação a propostas que constavam do seu programa de governo, como a convocação de uma assembleia constituinte, além de buscar incluir elementos dos programas de adversários do primeiro turno, como a proposta de Ciro Gomes para que o governo adote um programa para tentar limpar o nome de endividados.

Até as cores da campanha petista mudaram: saindo do tradicional vermelho para uma paleta mais ampla, que envolve os tons de verde, amarelo e azul. Todos esses gestos, segundo Michel Neil, vão na busca pelo eleitor de centro.

"Cabe a Haddad reforçar o discurso institucional democrático, em que ele se posiciona como a opção mais segura para as instituições democráticas, tentando dialogar com aquele eleitor que não quer votar em Bolsonaro, pois vê nele um governo de muito mais incertezas do que certezas", analisa o cientista político Michel Neil.

Disputa geográfica

Uma das evidências disso é que, com o crescimento de casos de violência por divergência política no país, Haddad tem feito críticas contundentes ao que considera uma escalada autoritária com a chegada de seu adversário ao poder, como mostrado em seu programa eleitoral. Em uma das declarações mais fortes contra Bolsonaro, o petista afirmou, em coletiva na quinta -feira (11), que o opositor "não tem projeto de país, a não ser armar as pessoas para que elas se matem".

A dificuldade, no entanto, é ter de sair de uma campanha que no primeiro turno foi mais alinhada com o eleitor petista para esse espectro mais amplo. "Por mais que o Haddad seja a figura certa do PT na busca desse centro político, a campanha de primeiro turno foi uma clivagem do 'nós contra eles', que também prevaleceu na campanha de Bolsonaro, mas com o sinal trocado. Isso dificulta convencer o eleitor de centro que não quer votar no Bolsonaro, mas também não apoia o PT. Esse eleitor em cima do muro ainda demonstra muitas feridas abertas, mas vai ter que se posicionar", acrescenta o cientista político.

Do ponto de vista da disputa geográfica, Michel Neil diz ainda que o foco de Haddad nessa etapa decisiva deve ser em direção ao eleitor das grandes cidades, onde a diferença de votos do petista para Bolsonaro foi maior.

Haddad precisa reverter uma diferença de 16,7 pontos percentuais em relação ao adversário, Jair Bolsonaro (PSL), que obteve 46,02% dos votos válidos no primeiro turno. O petista ficou com 29,28% da preferência. Neil analisou 272 eleições no país desde 1998 e que terminaram em segundo turno, incluindo pleitos presidenciais, para governos estaduais e prefeituras.  "Todas as vezes que o primeiro colocado do primeiro turno terminou com uma diferença de 15 pontos percentuais para o segundo colocado, ele foi vitorioso em 95% dos casos", aponta.

A primeira pesquisa do segundo turno, divulgada na quarta-feira (10) pelo Instituto Datafolha, indica liderança de Bolsonaro com 58% dos votos válidos contra 42% para Haddad.



Jair Bolsonaro anuncia plano de privatização e prega união do país

A duas semanas do segundo turno das eleições, o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, vai decidir os rumos da campanha ao Palácio do Planalto. Ele aguarda, na quinta -feira (18), uma nova avaliação da junta médica do Hospital Albert Einstein. Ao que tudo indica receberá alta.

Mesmo com uma liberação médica, o candidato já avisou que pretende participar, de no máximo, dois debates na televisão. E não descarta, por estratégia, não participar de nenhum.

Viagens ao Nordeste, única região do país onde não liderou a votação do primeiro turno, ainda não estão fechadas. O presidente do PSL, Gustavo Bebbiano, disse à Agência Brasil que, embora Bolsonaro queira viajar, todos os detalhes são minuciosamente analisados.

Combate à violência

“Existe a questão de segurança. Há informes de que o alerta é vermelho, em relação à segurança dele, daqui até o dia das eleições. Então, temos de cuidar tanto da integridade física dele quanto da saúde, que ainda se recupera”, acrescentou Bebbiano. Bolsonaro foi esfaqueado no dia 6 de setembro durante um ato de campanha em Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Na primeira semana pós-primeiro turno, a portaria do Condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, assistiu a um vai-e-vem de políticos e correligionários. Bolsonaro saiu de casa poucas vezes, a maioria com destino à casa do empresário Paulo Marinho, integrante do núcleo de campanha, para gravar programas eleitorais. Na primeira saída, na quinta -feira (11), concedeu uma entrevista coletiva para a imprensa após encontro com os deputados eleitos do PSL.

Ao falar sobre combate à violência gerada por divergências políticas, o candidato disse, na primeira vez, que não tinha como controlar as pessoas. “Esta pergunta não deveria ser invertida? Quem levou a facada foi eu. Um cara lá, que tem uma camisa minha, comete um excesso, o que eu tenho a ver com isso? Eu lamento. Peço ao pessoal que não pratique isso, mas eu não tenho controle sobre milhões de pessoas que me apoiam. Agora, a violência vem do outro lado, e eu sou uma prova viva disso”, afirmou o candidato.

Ministérios

Depois, adotou o tom de união pelo país. “Vamos unir o Brasil. Brancos e negros, homos e héteros, pais e filhos, nordestinos e sulistas, homens e mulheres, vamos unir o nosso Brasil e pacificá-lo”, disse durante a coletiva de imprensa.

O confinamento obrigatório desde o ataque à faca não impediu que o candidato fizesse campanha. Com uma campanha pautada nas redes sociais, postou vídeos e entrevistas com críticas contundentes ao adversário, que foram compartilhados por milhares .

Foi através delas que anunciou que, caso eleito, seu governo terá 15 ministérios, que reduzirá impostos para as pessoas de menor renda, que o programa Bolsa Família terá décimo terceiro salário. E que Paulo Guedes, consultor econômico da campanha, o general da reserva do Exército Augusto Heleno, o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e o astronauta Marcos Pontes farão parte de seu ministério nas pastas da Economia, Defesa, Casa Civil e Ciência e Tecnologia respectivamente.  

Adiantou que fará uma reforma administrativa para cortar "gastos desnecessários" e afirmou que  seu plano de privatizações vai agradar o mercado. As primeiras estatais que serão alvo foram as criadas pelos governos do PT. Bolsonaro também disse que irá trabalhar para que não haja mais progressão de pena e saídas temporárias de presos, os chamados saidões.

Visitas

No primeiro programa eleitoral do segundo turno no rádio e na televisão, nesta sexta-feira (12), o candidato fez críticas ao comunismo, ao seu opositor Fernando Haddad (PT) e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de mostrar a família, a esposa Michelle, os quatro filhos homens e a filha caçula, Laura.

“O vermelho é um sinal de alerta para o que não queremos no país. A nossa bandeira é verde e amarela e nosso partido é o Brasil”, diz a propaganda do candidato.

Na sexta-feira, recebeu, em sua casa da Barra da Tijuca, as visitas da atriz Regina Duarte e do deputado federal eleito por São Paulo Luiz Philippe de Orleans e Bragança, que chegou a ser cotado para vice na chapa. Fotos e imagens do encontro foram postadas nas redes sociais de Bolsonaro. Apesar de considerar João Doria, candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, opositor ao PT, não recebeu o tucano.



Dúvidas do eleitor podem ser esclarecidas na disputa do 2º turno

LUCAS ROCHA

Após o primeiro turno, dá-se início a uma nova etapa na corrida presidencial. Os apoios são disputados, as estratégias são traçadas, e propostas são reajustadas. As pesquisas com intenção de voto para o primeiro turno, previram a disputa que está apresentada nessa etapa do pleito. 

O que tem chamado atenção é a neutralidade apresentada pelos partidos que não seguem na disputa. Um exemplo dessa situação, é o "apoio crítico" proferido pelo PDT ao candidato Fernando Haddad (PT). Entretanto segundo o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, o candidato não terá o apoio maciço em relação a participação na campanha. Ciro Gomes (PDT) que ficou em terceiro na disputa pela presidência no primeiro turno não estará nos palanques com o petista, ele vai para o exterior com a família e retorna ao Brasil apenas no dia da eleição.

Os candidatos nessa primeira semana pós primeiro turno, reajustaram ou pelo menos tentaram sanar alguns pontos que não estavam atrapalhando os discursos. O candidato Jair Bolsonaro (PSL) já declarou durante entrevista que não irá mais propor uma nova constituinte, chegando a alfinetar seu vice-presidente  em rede nacional. Bolsonaro já recebe o apoio de lideranças distintas, e conta também com as pesquisas a seu favor, para quem sabe repetir/aumentar a votação expressiva que obteve.

Em relação a Fernando Haddad, uma situação que conta a favor - em minha opinião - é a mudança do layout de campanha, como a não imagem de Lula, a diminuição da cor vermelha. A retirada da imagem do ex-presidente Lula do material de campanha tende a agregar votos de parte dos indecisos; acredito também que se desvincula um pouco da imagem do PT, tendo em vista que o anti-petismo é um fator que não favorece o candidato Fernando Haddad.

É importante ressaltar que o tempo de TV, agora igual pra ambos os postulantes, pode aprofundar as discussões, principalmente se levarmos em consideração que Jair, por recomendação médica, não participará, por enquanto, dos debates propostos.

Nos próximos dias, algumas perguntas serão respondidas aos eleitores brasileiros: Será que Haddad agora começa a enfatizar suas propostas e "esquece" um pouco os feitos de Lula? Caso eleito, como ficará a relação de Bolsonaro com seu vice, já que ambos divergem e se contradizem bastante?

Terra arrasada no 2º turno das eleições entre Bolsonaro e Haddad

MANOEL NETO

A disputa do segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad evidencia aquilo que vem se mostrando uma tendência nas eleições posteriores ao processo de redemocratização, em 1989: a polarização. Com a pulverização das candidaturas, esperava-se que o establhisment fosse dissolvido e nomes do chamado “centro”, sem envolvimento direto com extremos, pudessem emergir. Visão errada. O pleito coloca frente a frente, mais uma vez, uma disputa de extremos e entre candidatos que, embora não tão conhecidos, já são nomes antigas na política. E esse embate, ao que tudo indica, será um completo deserto de ideias.

Jair Bolsonaro, político profissional há 28 anos, mostra-se como o novo. Surfando na onda do anti-petismo, o ex-deputado carioca procura lançar a bandeira da nova política, prometendo quebrar com as negociatas de cargos e com a corrupção sistêmica que assolou a máquina pública na última década (mas não só nela). Sua intensa atuação na defesa dos valores tradicionais da família e as declarações polêmicas também foram uma constante na pavimentação do terreno até aqui, servindo como munição para que, bem visto ou não, o capitão reformado granjeasse um grande apoio na preparação do terreno para a corrida presidencial. Falta, contudo, ao projeto do “novo” Brasil de Bolsonaro, talvez, uma dose maior de consistência, pois o candidato, que defende uma estruturante reforma nos pilares econômicos do país, lançando o liberalismo como lema, esquece que nunca prestou sequer um dia de trabalho para a iniciativa privada, onde João Amoêdo e Henrique Meirelles, por exemplo, construíram carreira. Muito pelo contrário: o candidato do PSL, desde que entrou para a reserva, viveu a vida toda às custas dos vultosos privilégios pagos aos parlamentares, os quais ele insinua, hoje, dentro da onda liberal, querer combater. É difícil acreditar que ele saiba três ou quatro princípios do liberalismo, parecendo, muito mais, um discurso demagógico. 

Fernando Haddad, herdeiro de Lula, em meios aos escombros da destruição do PT. Com o partido assolado até o nariz nos escândalos expostos pela Lava-Jato, o ex-prefeito de São Paulo foi a saída encontrada pelo PT para disputar a corrida presidencial. Com forte atuação do ex-presidente, condenado e preso por corrupção, a candidatura petista destruiu e esvaziou as ambições de outros candidatos de campo político semelhante, como Ciro Gomes, que obteve mais de 13 milhões de votos e terminou a disputa em 3º lugar. Não parece coerente, nos dias de hoje, que o partido, depois de 14 anos no poder, advogue bravamente por reformas que eles tiveram tempo e capital político para realizar. A grande verdade é que Haddad, embora tente se descolar, não consegue se desvencilhar da figura de Lula, uma vez que foram os votos desse nicho petista que o levaram ao segundo turno. A candidatura do PT, hoje, representa apenas aquilo que o partido, nos últimos anos, vem demonstrando ser a tônica da sua existência: a sede de poder.

É nesse cenário nefasto que ocorrerá o embate do segundo turno, marcado para o próximo dia 28.  A única certeza que fica é que, qualquer que seja o vencedor, muitas incoerências ainda precisarão de esclarecimento.


Fragmentação do Congresso desafia sustentação do futuro governo

O aumento da fragmentação partidária após as eleições do último domingo (7) exigirá esforço do próximo presidente da República para o novo governo ter sustentação no Congresso Nacional. Como apontam cientistas políticos, a articulação passa por conseguir equacionar a agenda de trabalho com as demandas dos aliados que, conforme a história recente, querem partilhar poder e recursos para atender suas bases.
A Câmara dos Deputados passará dos atuais 25 partidos representados para 30. No Senado Federal, o crescimento é de 15 a 20 legendas. A eleição também implicou na renovação dos nomes da próxima legislatura. Das 54 vagas recentemente disputadas no Senado, 46 serão ocupadas por novos parlamentares. Na Câmara, são novos 52% dos nomes dos deputados, a maior taxa de mudança nos últimos 20 anos. O dado não contabiliza parentes eleitos e nem aqueles que trocaram de Casa legislativa ou que voltaram para o Congresso depois de pelo menos quatro anos ausentes.
De acordo com o sociólogo e cientista político Bolívar Lamounier, com a votação “a fragmentação [do Parlamento] subiu para o espaço” e o Brasil “atingiu o índice mais alto do mundo com partidos representados no Parlamento”.
Na avaliação de Aldo Fornazieri, diretor Acadêmico da Escola de Sociologia e Política (São Paulo), a fragmentação é um indicativo que “qualquer que seja o eleito escolhido terá dificuldade para composições políticas. Não vai ter alinhamento automático. Ninguém conseguirá fazer uma grande bancada”.
“A alta fragmentação também deve condicionar os ritos das negociações, de modo a aumentar os custos para o Executivo”, acrescenta o sociólogo Pedro Célio Borges, da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Rejeição
Sobre as mudanças na Câmara, Bolívar Lamounier avalia que “não foi uma renovação tão ampla”,  “mas foi marcante pela derrota de muitos caciques políticos".
Para Pedro Célio Borges, “a grande marca da eleição foi o forte sentimento negativo a tudo que é visto como o sistema político e seus agentes”. Em sua opinião, “os políticos com mandato foram alvos especiais de rejeição”.
Em meio aos processos de renovação e fragmentação, o PSL de Jair Bolsonaro elegeu bancada com 52 deputados e quatro senadores. O PT de Fernando Haddad elegeu 56 deputados e, também, quatro senadores.
Para Lamounier, o conjunto dos resultados das eleições (presidencial e legislativa) é indicativo de “um alto grau de rejeição do petismo” e de apoio a políticos mais comprometidos com agenda de reformas econômicas.
Aldo Fornazieri aponta que “houve uma devastação do sistema partidário tradicional”, mas contrapõe às visões reformistas as dificuldades que Jair Bolsonaro terá, se for eleito, para fazer, por exemplo, a reforma da Previdência Social - considerada medida de maior impacto nas contas públicas. “O Bolsonaro não vai fazer uma reforma que vai prejudicar militares. Será uma reforma manca”. O próximo Congresso terá 24 parlamentares de origem militar.
“Está evidente que a nova composição das bancadas reforça posições conservadoras, como as turmas da bala, da bíblia, do agro”, avalia Pedro Célio Borges que, no entanto, assinala: “Há mais água a passar no segundo turno, quando poderão aparecer alguns vetores ainda não colocados ao debate. Um deles virá na revelação dos programas dos dois candidatos, que não ficaram suficientemente explicitados até momento”.
 
 


Partido Novo não apoiará candidato à Presidência no 2º turno

O partido Novo anunciou, em nota divulgada na manhã desta terça-feira (09), que não apoiará candidato na disputa presidencial do segundo turno. Integrantes da sigla se reuniram durante a noite de ontem e entraram pela madrugada discutindo qual a posição a ser divulgada pelo partido.

“O NOVO não apoiará nenhum candidato à Presidência, mas somos absolutamente contrários ao PT, que tem idéias e práticas opostas às nossas”, diz a trecho da nota publicada nas redes sociais do partido.

Questionado pelo blog sobre a decisão, o presidente do Novo em Pernambuco, Augusto Calado, disse que há claro posicionamento contra o PT. “Não há posicionamento por neutralidade. Essa nota é bem clara e somos contra o PT”, disse. Augusto também disse que o partido “recomenda” voto. “Filiado é filiado, partido é partido. Eu votarei em Jair Bolsonaro, sou contra os petistas”, pontuou.

Na avaliação da sigla, o Novo obteve importantes conquistas e sai fortalecido das eleições. O partido, estreante em pleitos, elegeu 8 deputados federais. O objetivo principal neste 2º turno é eleger Romeu Zema como governador de Minas Gerais. Ele disputa contra o senador Antônio Anastasia, do PSDB. Nos últimos dias de campanha, Zema estava em crescimento no eleitorado mineiro, mas decolou de vez após, no último debate na TV Globo, dizer que “eleitores devem votar em candidatos da mudança como Jair Bolsonaro ou João Amôedo”. O aceno ao eleitorado bolsonarista ajudou a puxar votos para Zema. No estado, o candidato à Presidência do PSL venceu com 48,31% dos votos válidos.

Augusto Calado foi taxativo quando questionado sobre participação do Novo na base de eventual governo Bolsonaro. “De forma alguma, é tanto que não fizemos coligação”, destacou, de maneira enfática.


Veja deputados estaduais eleitos em Pernambuco

Deputados Estaduais


1- Gleide Angelo (PSB)


2- Pastor Cleiton Collins (PP)


3- Guilherme Uchoa (PSC)


4- Doriel Barros (PT)


5- Rodrigo Novaes (PSD)


6- Clodoaldo Magalhães (PSB)


7- Aglailson Victor (PSB)


8- Lucas Ramos (PSB)


9- Adalto Santos (PSB)


10- Simone Santana (PSB)


11- Joaquim Lira (PSD)


12- Manoel Ferreira (PSC)


13- Clarissa Tércio (PSC)


14- Francismar (PSB)


15- Diogo Moraes (PSB)


16- Gustavo Gouveia (DEM)


17- Tony Gel (MDB)


18- William Brigido (PRB)


19- Joel da Harpa (PP)


20- Claudiano Filho (PP)


21- Priscila Krause (DEM)


22- Alessandra Vieira (PSDB)


23- Antônio Coelho (DEM)


24- Alberto Feitosa (SD)


25- Fabíola Cabral (PP)


26- Rogério Leão (PR)


27- Juntas (PSOL)


28- Waldemar Borges (PSB)


29- Álvaro Porto (PTB)


30- Clovis Paiva (PP)


31- Antonio Moraes (PP)


32- Eriberto Medeiros (PP)


33- Henrique Queiroz Filho (PR)


34- Isaltino (PSB)


35- Romero Sales Filho (PTB)


36 - Zé Queiroz (PDT)


37- Teresa Leitão (PT)


38- João Paulo (PCdoB)


39- Romero (PP)


40- Delegado Lessa (PP)


41- Roberta Arraes (PP)


42- Antônio Fernando (PSC)


43- Marco Aurélio Meu Amigo (PRTB)


44- Romário Dias (PSD)


45- Wanderson Florêncio (PSC)


46- João Paulo Costa (Avante)


47- Aluisio Lessa (PSB)


48-  Dulcicleide Amorim (PT)


49 -Fabrizio Ferraz (PHS)



Veja deputados federais eleitos de Pernambuco

1 - João Campos (PSB)


2 - Marília Arraes (PT)


3 - André Ferreira (PSC)


4 - Sebastião Oliveira (PR)


5 - Pastor Eurico (PATRI)


6 - André de Paula (PSD)


7 - Luciano Bivar (PSL)


8 - Felipe Carreras (PSB)


9 - Eduardo da Fonte (PP)


10 - Silvio Costa Filho (PRB)


11 - Daniel Coelho (PPS)


12 - Fernando Filho (DEM)


13 - Danilo Cabral (PSB)


14 - Raul Henry (MDB)


15 - Wolney Queiroz (PDT)


16 - Fernando Monteiro (PP)


17 - Gonzaga Patriota (PSB)


18 - Augusto Coutinho (SD)


19 - Túlio Gadêlha (PDT)


20 - Ricardo Teobaldo (PODE)


21 - Carlos Veras (PT)


22 - Bispo Ossesio (PRB)


23 - Renildo Calheiros (PCdoB)


24 - Tadeu Alencar (PSB)


25 - Fernando Rodolfo (PHS)



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