A 4 dias do 2º turno, correm prazos para propaganda e atos políticos

A quatro dias do segundo turno, os prazos do calendário eleitoral correm mais rápidos. Esta quinta-feira (25) é o último dia para atos políticos. O horário, entretanto, é mais prolongado. Os candidatos à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) têm atuado de maneiras distintas.

Haddad intensificou os atos de campanha, saindo de São Paulo rumo ao Rio de Janeiro e cidades do Nordeste. A previsão é de que até sexta-feira (26) ele ainda participe de atos em Belo Horizonte e cidades de Pernambuco, do Rio Grande do Norte e da Bahia.

Bolsonaro tem permanecido em casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde costuma receber correligionários e simpatizantes. Nesta quarta-feira (23), parlamentares e prefeitos de vários partidos o visitaram para prestar solidariedade às vésperas das eleições.

Na sexta, dia 26, o calendário eleitoral é claro: é o último para a veiculação de propaganda eleitoral gratuita. Porém, até sábado (27), véspera das eleições, a legislação permite propaganda “mediante alto-falantes ou amplificadores de som”, distribuição de material gráfico e a promoção de caminhada, carreata, passeata e carro de som.

No domingo, dia 28, é o dia da votação. Os eleitores devem se dirigir aos postos das 8h às 17h. No caso do Distrito Federal e de 13 estados, os eleitores escolherão o presidente da República e o governador. Apenas no Rio Grande do Norte, há uma candidata concorrendo às eleições, que é Fátima Bezerra (PT).



2020 é logo ali: políticos já de olho na Prefeitura do Recife nas eleições municipais

Nas eleições municipais, realizadas daqui a dois anos, o Recife tem fortes nomes para a disputa pela Prefeitura de uma das cidades mais importantes do país. A reeleição do governador Paulo Câmara fortalece o grupo político do PSB para a sucessão de Geraldo Julio no cargo. O favorito do grupo político que está no poder para disputar a eleição em 2020 é João Campos, filho do ex-governador Eduardo e deputado federal mais votado da história de Pernambuco. Por fora no PSB, corre o nome Felipe Carreras, deputado federal bem votado na capital, quase com o mesmo número de João. Porém, outros nomes podem conquistar o Executivo Municipal e já devem colocar o “bloco na rua” a partir do próximo ano. Também pode disputar Marília Arraes (PT), deputada federal vice-campeã de votos - com quase 200 mil - que tem adquirido muita força com a militância de esquerda no estado e uma liderança que tende a crescimento no futuro, é tanto que o PSB articulou a retirada da candidatura dela ao governo do estado, que levava risco à reeleição de Paulo. Se o PT decidir novamente rifar seu nome, ela pode ir para outra sigla, como o PDT, já que o presidente Carlos Lupi dá a palavra a cumprir, diferente de Gleisi Hoffmann, do PT. São outros nomes: André Ferreira (PSC), com influência no eleitorado evangélico e membro de grupo político de expressão - seu irmão é o governante de Jaboatão (Anderson Ferreira) - , Daniel Coelho (PPS) e Priscila Krause (DEM), ambos se mostram parlamentares combativos e coerentes na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa, respectivamente. Coelho e Priscila podem, inclusive, se juntar a formar uma chapa única. O cabeça de chapa seria a depender do quadro do momento. 

PATÉTICOS - Os filhos do candidato Jair Bolsonaro tiveram votações muito expressivas nas disputas por vagas no Parlamento. Flávio Bolsonaro foi o senador mais votado no Rio, com mais 4 milhões de votos, e Eduardo Bolsonaro o deputado federal mais votado em São Paulo, com 1,8 milhão. Resta saber se, a partir do ano que vem, caso o pai assuma o Planalto, se ele vão ajudar ou atrapalhá-lo. Por enquanto, pelo menos Eduardo, tem dito falas toscas, como a sobre fechar o STF.

PERNAMBUCO LÁ - Mendonça Filho é um dos mais cotados para assumir o Ministério da Educação em caso de vitória de Bolsonaro. Discurso do candidato do PSL de que não daria cargos em troca de apoio no Congresso começa a ir por água abaixo. A pasta pode ser um agrado para o DEM, de Rodrigo Maia, que deve seguir presidente da Câmara. 

DEU UM PULO - Na capital paulista, Haddad tem 32% dos votos válidos, o dobro do que teve quando foi candidato à reeleição para a Prefeitura paulistana em 2016, segundo pesquisa do Ibope.

NEGAÇÃO - João Doria tem apenas 35% dos votos na capital paulista, segundo pesquisas, na disputa pelo governo estadual. Para quem foi prefeito há pouco tempo, o recado é claro da maioria da população: reprovação. Márcio França, postulante à reeleição, tem 65%. Eleição será decidida no interior. 

PERGUNTO - Esse discurso de Bolsonaro de que quer acabar com a reeleição será cumprido ou o poder vai seduzi-lo a tentar um novo mandato?

Enem: estudantes podem confirmar inscrição a partir desta segunda-feira

A partir desta segunda-feira (22), os estudantes que vão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018 podem acessar os cartões de confirmação da inscrição. Para consultar o documento, é necessário acessar a página do participante, onde deve ser colocado o CPF e senha ou baixar em seu celular o aplicativo Enem 2018. A primeira etapa do exame será aplicada no domingo, dia 4 de novembro.

O cartão contém os dados do estudante, o endereço do local, a data e hora da aplicação da prova, além das informações sobre a língua estrangeira escolhida e recursos de acessibilidade, se tiverem sido solicitados. Caso tenha problema com as informações do cartão ou dificuldade de acesso ao documento, o estudante pode entrar em contato com o MEC pelo telefone 0800616161 ou pelo link Fale Conosco, no site do Enem.

Com a entrada em vigor do horário de verão no mesmo dia da primeira etapa do Exame, em 4 de novembro, o Ministério da Educação recomenda que os inscritos fiquem atentos aos horários de abertura e fechamento dos portões dos locais de prova em cada estado.

Para evitar imprevistos, o MEC recomenda que o estudante planeje o trajeto até o local da prova. O ministério sugere também que os participantes comecem a ajustar o horário de sono e dormir mais cedo uma semana antes do dia da prova.

Confira os horários do fechamento dos portões

No Distrito Federal e nos estados do Espírito Santo, de Goiás, Minas Gerais, do Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e São Paulo, os portões abrem às 12h e fecham às 13h.

Nos estados de Alagoas, do Amapá, da Bahia, do Ceará, Maranhão, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, da Paraíba, de Pernambuco, do Piauí, Rio Grande do Norte, de Sergipe, do Tocantins, os portões abrem às 11h e fecham às 12h.

No Amazonas, em Rondônia e Roraima, os portões abrem às 10h e fecham às 11h. No Acre, os portões abrem às 9h e fecham às 10h, no horário local.



Haddad eleva o tom, critica e desafia Bolsonaro

O candidato à Presidência da República pelo PT, Fernando Haddad, engrossou às críticas ao seu adversário neste sábado (20). Em Fortaleza, na sua primeira viagem ao Nordeste em campanha no segundo turno das eleições, o candidato chamou Jair Bolsonaro (PSL) de "aberração" e "soldadinho de araque".

"A elite ficou dois anos procurando um candidato para representá-la. Acharam o que tem de pior no Congresso Nacional, uma aberração, que só fala em violência, só ofende", disse. "Cada vídeo desse cara assusta uma parte da população", completou.

Segundo Haddad, seu adversário foge de debates e tinha uma "armação" para ganhar no primeiro turno das eleições: "vem falar da minha família na minha cara. Vem falar dos meus bens na minha cara. Vem me enfrentar, soldadinho de araque. Não está preparado para ser presidente da República", afirmou o candidato, que iniciou seu discurso entregando uma rosa vermelha à esposa, Ana Estela Haddad, que o tem acompanhado em praticamente todos os atos de campanha.

Denúncias

O presidenciável voltou a mencionar as suspeitas de que grupo de empresários que financiaria o envio em massa de mensagens falsas anti-PT na plataforma WhatsApp. "Agora caiu numa armadilha. Eles montaram uma organização criminosa para botar dinheiro sujo no Whatsapp. O Tribunal Superior Eleitoral e o Ministério Público agora abriram inquérito para investigar. Vocês devem conhecer muita gente que recebeu notícia falsa pelo Whatsapp e metade da população brasileira hoje se informa pelo celular e o Whatsapp redireciona para vídeos e mensagens mentirosas contra mim e a Manuela Dávila, nossa candidata a vice", afirmou.

Haddad descartou ainda que o adversário participe de debates. "Como é que depois de ter me difamado, me caluniado, ele ainda vai participar de debate? Ele mentiu muito", disse.

Ato em Fortaleza

Na manhã deste sábado (20), Haddad fez uma caminhada no centro de Fortaleza ao lado do governador reeleito no Estado, Camilo Santana (PT), do candidato derrota no primeiro turno à Presidência pelo PSOL, Guilherme Boulos e da presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann. Segundo a organização, cerca de 20 mil pessoas participaram do ato.

O evento teve a participação de apoiadores de vários partidos de esquerda, em clima de festa pelas ruas da cidade. Ainda nesta tarde, há previsão de encontro de blocos de rua em uma "campanha pela democracia".

Para Guilherme Boulos, o segundo turno dessa eleição é uma "encruzilhada": "O que está em jogo não é apenas duas candidaturas. O que está em jogo é a disputa entre democracia e ditadura. Entre direitos e privilégios. Por isso quero dizer aqui que qualquer diferença que existe entre nós é muito menor do que o nosso compromisso com a democracia e o Brasil", assegurou.

Um dos organizadores do evento no Ceará, o governador Camilo Santana, afirmou que Haddad vai "governar tirando o ódio que está permeado pelo Brasil" e que é necessário "arregaçar as mangas para mostrar as fraudes do outro lado", completou.

Os atos no Ceará foram organizados pelo deputado federal reeleito pelo PT, José Guimarães, com apoio de Santana. Durante o evento, Haddad afirmou que espera receber percentual próximo aos quase 80% dos votos que elegeram Santana no estado.

PDT

Haddad ainda agradeceu o apoio "crítico" do PDT, partido do candidato derrotado no primeiro turno Ciro Gomes. "O Ciro é um grande brasileiro. Mesmo sendo crítico, o apoio dele é muito importante. Os eleitores dele, 70% já estão votando conosco e eu para o Ceará buscar esses outros 30%".



Bolsonaro defende autonomia política do BC e fim da reeleição

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, defendeu neste sábado (20) a autonomia política do Banco Central (BC) e a manutenção de um tripé macroeconômico no país. Ele concedeu uma rápida entrevista à imprensa no Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro, onde gravou programa eleitoral da campanha no segundo turno.

Perguntado se tem intenção de manter no cargo o presidente do BC, Ilan Goldfajn, caso seja eleito, o candidato afirmou que a decisão cabe ao economista Paulo Guedes. “Nem tudo tem que ser mudado do governo Temer. O que está dando certo não tem que ser mudado, mas tem muita coisa errada também”, disse Bolsonaro sem citar exemplos de medidas malsucedidas adotadas pela gestão atual.

Reeleição

Na entrevista, o presidenciável também defendeu o fim da reeleição e a redução do número de parlamentares no Congresso Nacional. “Fala-se muito em reforma política, mas o presidente não tem autoridade para tal. Cada parlamentar vota de acordo com seu interesse. Da minha parte, vou conversar com o Parlamento com vistas a uma reforma. Acabar com o instituto da reeleição e reduzir de 15% a 20% a quantidade de parlamentares”, disse.

Indústria

Para o candidato do PSL, o país passa por um processo de desindustrialização e é preciso voltar a estimular o setor. “Não podemos continuar exportando minério de ferro e importando uma canoa de aço de volta. Temos que agregar valor, fomos desindustrializados nos últimos anos, e tem que se buscar uma maneira de incentivar e estimular para que a indústria seja próspera no Brasil.”

Bolsonaro também foi perguntado sobre nomes que vão compor o seu ministério, no caso de ele ser eleito. Disse que pretende desmembrar o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Ele confirmou a intenção de indicar o tenente-coronel da reserva Marcos Pontes para o comando do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Política externa

Ao falar sobre o Mercosul, o candidato afirmou que não se pode “jogar para o alto” o acordo. “O que não pode é continuarmos usando acordos como esse em função de interesses ideológicos como o PT fez”, criticou. Ele defendeu a assinatura de acordos bilaterais pelo Brasil. “Vamos partir para o bilateralismo onde for possível. Conversei com o [ Mauricio] Macri [presidente da Argentina], ontem com o do Paraguai, encontrei senadores do Chile. Vamos buscar fazer acordos com ao países da América do Sul sem o viés ideológico.”

Sobre comparações feitas entre ele e presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Bolsonaro respondeu: “Trata-se de querer um Brasil grande assim como ele quer uma América grande.”

O candidato fez elogios ao presidente norte-americano. “Ele diminuiu a carga tributária do setor produtivo, foi criticado, mas isso gerou emprego e atraiu novas empresas de fora. A Inglaterra fez isso há 20 anos. Admiro muito ele [Trump] por isso aí, ou vão querer que eu admire [Nicolás] Maduro [presidente venezuelano] ou o governo cubano?”

Jair Bolsonaro comentou ainda a morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi, que desapareceu no dia 2 de outubro após ir ao consulado de seu país em Istambul, na Turquia, para buscar documentos. Segundo a Procuradoria-Geral da Arábia Saudita, Khashoggi morreu em uma briga dentro do consultado. A versão contrasta com a dos veículos de imprensa turcos e americanos, que indicam uma execução de Khashoggi por agentes sauditas próximos do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. “Se comprovado, foi assassinato. Não tenho palavras para repudiar uma ação como essa”, disse Bolsonaro.



PGR pede à Polícia Federal que abra inquérito para apurar uso de empresas na disseminação de informações falsas em redes sociais

JOSÉ MATHEUS SANTOS A Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, pediu à Polícia Federal, nesta sexta-feira (19), que abra inquérito para apurar uso de empresas na disseminação de informações falsas em redes sociais. A PGR enviou o despacho ao ministro da Segurança, o pernambucano Raul Jungmann, cuja pasta tem a PF como órgão vinculado.

Na determinação, Dodge diz que um “quadro de possível interferência, por meios tecnológicos, na formação de opinião dos eleitores sobre os candidatos, com base em possíveis informações falsas ou mensagens ofensivas à honra, afronta e integridade do processo eleitoral.

A procuradora-geral também cita reportagens da BBC e dos jornais Folha de São Paulo e O Globo, que denunciaram atuações de empresas em “disparos em massa” de mensagens com “conteúdos inverídicos”.

Confira a seguir a íntegra do pedido formal de investigação da PGR:



Reta final das Eleições: Qual o saldo?

Chegada a reta final da corrida eleitoral para presidência, torna-se cada vez mais nítido que a modernização ocupou, também, esse espaço dentro da sociedade. A última pesquisa veiculada pelo Datafolha, noticiada aqui pelo PortalRCF,  demonstra uma distância sólida entre Bolsonaro e Haddad e é aterrador pensar que o primeiro lugar das pesquisas conquistou (e ainda conquista), coordena e lida com todo seu eleitorado por meio, majoritariamente, da internet.

Dentro de todo este cenário, diversas são as estratégias elaboradas pela esquerda militante para desbancar o adversário. Recentemente, muito do que se tem levantado circula entre as acusações, contra Jair, de disparo de Fake News. Além das acusações em si, a ironia e o deboche contra as fontes de conhecimento, por assim dizer, dos eleitores da direita são ações frequentes para tentar minimizar o insucesso escancarado nas pesquisas.

Acredito, no entanto, que ambas essas ações lutam contra um fenômeno que não é atual e muito menos tem como pioneiro o candidato Bolsonaro. É óbvio, mas importante ressaltar, que isso não desculpa o candidato, de modo que se condenado, deve ser em absoluto responsabilizado. Talvez a modernidade tenha trazido nomes a hábitos antes escondidos, dando ares de novidade. Sucede que, dentro do espectro político brasileiro, a sociedade eleitora, em sua maioria, historicamente constrói seu conhecimento sob uma figura, uma pessoa. Antes, determina-se a pessoa; depois, acontece a formação do conhecimento e das verdades em que se acreditarão.

O processo de construção das ideologias e verdades políticas da população acontece, então, a partir da figura de alguém. Quase que com um caráter bíblico, essa figura é posta em um pedestal que rege essas verdades e torce os discursos para enquadrar tudo dentro da ideologia defendida. Imaginemos o que ocorreu com Lula em uma das suas primeiras candidaturas.

Um de seus principais crítico, Enéas Carneiro, frequentemente apontava a baixa escolaridade de Lula como circunstância que inviabilizaria seu governo e, ainda mais, a própria valorização à educação em seu mandato. Em resposta a isso, tanto a imprensa quanto o próprio Lula, ironizavam a crítica feita pelo opositor, atribuindo a esta fala tons de soberba, reforçando que a capacidade de articulação política e de governabilidade não tinha vínculo qualquer com a escolarização em si.

Ironicamente (e isso não depende da minha concordância), dentro das mais variadas críticas feitas pela militância esquerda contra Bolsonaro está aquela que aponta justamente o seu currículo extremamente enxuto, em detrimento ao de Haddad, absolutamente extenso e com diversas qualificações. 

Este é apenas um dos inúmeros exemplos e o ponto aqui não é a defesa de um ou de outro candidato, mas tentar trazer à luz que este fenômeno de seletividade das verdades em que se creem é antigo e já muito usado por todos os “lados” políticos. A crença absoluta em Bolsonaro e nos influenciadores que o apoiam bebe deste fenômeno. Alguém com presença, que fala com convicção, que debruça-se sobre discursos populistas. Esse alguém conduz a “consciência coletiva” dos seus seguidores.

É essa, ao meu ver, uma das razões das falas de Harvard, do Papa Francisco, e dos diversos outros expoentes que já se manifestaram contra Jair não moverem uma palha sequer no seu eleitorado. Do contrário, segue aumentando. Não importa o currículo, a posição, o status acadêmico. O grau de relevância que recebem essas falas não se compara ao que recebem as correntes de Whatsapp, as lives dos influenciadores preferidos, os tweets do presidenciável. Isso pelo fato de que importa a pessoa, não sua qualificação. Esta característica vem depois, reforçando a empatia já conquistada.

Essa maneira com a qual a maioria da sociedade lida com a política no Brasil nos põe a pensar que talvez não estejamos tão evoluídos, tão “politizados” assim. Que ainda há muito chão a caminhar para que deixemos a posição de passivos e tornemo-nos ativos na formação do nosso próprio pensamento.
            

Datafolha: Bolsonaro lidera entre mulheres; Haddad segue na frente no Nordeste

O Datafolha divulgou, na noite desta quinta-feira (18), a segunda pesquisa com intenções de votos para a disputa do 2º turno para a Presidência. O instituto ouviu 9.137 eleitores em 341 municípios entre a quarta (17) e a quinta (18). A margem de erro é de 2%. Veja os números:


VOTOS VÁLIDOS - sem considerar brancos e nulos

Jair Bolsonaro PSL 59%

Fernando Haddad PT 41%


VOTOS TOTAIS

Jair Bolsonaro 50%

Fernando Haddad 35%

Brancos e nulos 10%

Indecisos 5%


REJEIÇÃO
Jair Bolsonaro 41%

Fernando Haddad 54%


Bolsonaro lidera entre as mulheres

A vantagem de Bolsonaro sobre Haddad continua maior entre os homens (58% a 32%) do que entre as mulheres (43% a 39%). O candidato do PSL tem maior resistência no eleitorado feminino desde o começo da campanha eleitoral, mas, mesmo assim, lidera dentro da margem de erro.

No levantamento por região, Haddad lidera apenas no Nordeste

Fernando Haddad só aparece à frente do concorrente na região Nordeste, maior reduto eleitoral do PT no país. O ex-prefeito de São Paulo aparece com 53% das intenções de voto na região e Bolsonaro pontua com 31%. 27% dos eleitores do Brasil está no Nordeste. Apesar da liderança de Haddad, Bolsonaro pontua bem na região, com quase um terço dos votos, melhor índice de um adversário do PT desde 2002 na região, de acordo com o Datafolha.

Nas demais regiões, o candidato do PSL vence o rival petista com ampla vantagem. No Sudeste, por exemplo, que tem 44% do eleitorado, Bolsonaro alcança 55% e Haddad tem 29%. Na região Sul, Bolsonaro está com 61% e o petista com 27%. Os sulistas representam 14% do eleitorado do país.
Dados da pesquisa
Registro no TSE: BR-07528/2018. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal Folha de São Paulo.



Numerologia: Bolsonaro lidera entre mulheres, negros e em quatro regiões

Os resultados da pesquisa de intenção de votos divulgada nessa segunda-feira (15) pelo Ibope Inteligência - que aponta vantagem do candidato Jair Bolsonaro (PSL) sobre Fernando Haddad (PT) na disputa presidencial de 2º turno, com placar de 59% a 41% dos votos válidos (excluindo nulos, brancos e indeciso) - se assemelham aos resultados das eleições presidenciais de 2002 e 2006.

A lembrança é da diretora-executiva do Ibope, Marcia Cavallari. Segundo ela, “os resultados são mais parecidos” com as eleições vencidas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que com os pleitos ganhos pela ex-presidente Dilma Rousseff. Em suas duas vitórias, Lula obteve em torno de 61% dos votos válidos. Na campanha de 2010, Dilma atingiu 56%. Em 2014, o percentual caiu para 51,6%.

Conforme Cavallari, os dados da última pesquisa eleitoral “mostram homogeneidade” em favor de Jair Bolsonaro. O candidato do PSL vence entre homens (58% das intenções de voto na pergunta estimulada, diante de 33% de Haddad), entre mulheres (46% contra 40%), e em todas as faixas etárias. Há preferência também entre brancos (60% contra 29%), pretos e pardos (47% contra 41%) e pessoas de outras raças ou cores (52% a 39%).

Bolsonaro também é preferido entre evangélicos (66% contra 24%), e tem mais intenção de votos entre católicos (48% contra 42%) e pessoas de outras religiões (44% contra 40%). Os dados são nominais – diferente da totalização de votos válidos que não contabilizam declarações de voto branco, nulo e de entrevistados indecisos.

Fernando Haddad vence apenas em três estratos, conforme levantado pelo Ibope. O candidato do PT é o favorito na Região Nordeste (57% contra 33%); entre os eleitores com até a 4ª série do ensino fundamental (52% contra 41%); e pessoas com até um salário mínimo de renda familiar (53% contra 38%). Jair Bolsonaro lidera nas demais regiões, faixas de escolaridade e níveis de renda.

Contornando ruídos com os mais pobres

A pesquisa indica que os entrevistados avaliam que Fernando Haddad “melhor representa os interesses” de pobres, trabalhadores, aposentados e mulheres. A avaliação é de que Jair Bolsonaro “melhor representa os interesses” de ricos, empresários e bancos.

Para o cientista político Malco Camargos, professor da PUC Minas, a campanha de Jair Bolsonaro percebeu esses sentimentos. Evidência disso é o anúncio de que, se eleit,o o candidato do PSL pretende adotar o “pagamento do 13º” no Programa Bolsa Família – o que também ajuda a desfazer ruído provocado após o posicionamento do general Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa pelo PRTB, contra a forma atual de pagamento do benefício aos trabalhadores com carteira assinada.

O cientista político diz que os dados sobre o candidato do PT indicam que “há percepção entre aqueles que mais demandam políticas públicas de que a vida melhorou no período dos governos petistas”. Conforme o acadêmico, os mais pobres podem temer que essas iniciativas acabem.

Reforço no discurso

Camargos assinala ainda que a consolidação de Bolsonaro ocorreu “sem o candidato se voltar para o centro político, mas reforçando discurso”. A estratégia de Bolsonaro envolve o apelo à segurança pública, assinalando preocupação com as mulheres, e manter fortes posicionamentos contra a chamada ideologia de gênero, a descriminalização de aborto e a do consumo de drogas.

Conforme o Ibope, a distância de 18 pontos percentuais das intenções de voto entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad equivale a 19,3 milhões de votos válidos. Para o cientista político, a vantagem “não quer dizer que a eleição está resolvida”. Por isso, o candidato deve evitar até o dia da eleição “exposição ao risco”.

Os dados detalhados da pesquisa do Ibope estão disponíveis no site do instituto. O levantamento ouviu 2.506 eleitores. A margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, só vale para as questões que têm esse número de respondentes. O nível de confiança estatística é de 95%.

A pesquisa, feita no sábado e domingo (13 e 14 de outubro), foi contratada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela Rede Globo. O levantamento foi registrado na semana passada na Justiça Eleitoral (BR-01112/2018). No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão disponíveis o questionário do levantamento e os locais onde a pesquisa foi aplicada.

As verdades de Cid servem para reflexão a longo prazo do PT

“Respeito aos princípios e regras que norteiam a honra e a probidade”. Esse é o significado da palavra lealdade no dicionário da língua portuguesa. Tal princípio é pouco visto na política atual, em que cargos e disputa de poder são norte para as relações, e não os princípios ideológicos e pensamento em prol do bem-estar da população. Lealdade não é uma marca do PT nos últimos anos, embora fosse fiel a seus valores iniciais durante muitos anos. A derrocada começou após a chegada ao poder. Afinal, como dito nos corredores dos Parlamentos brasileiros, “vale tudo”.


Ciro Gomes foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará e ministro da Fazenda, com o PT na oposição, pois ele era filiado ao PSDB no período de 1988 a 1996. O irmão dele, Cid Gomes, foi governador do Ceará de 2007 a 2014, com o Brasil bem economicamente e sem a divisão e forte polarização política atual, no entanto, no período foi aliado do PT. Nas sabatinas durante a campanha eleitoral à Presidência neste ano, Ciro disse diversas vezes que “apoiou o PT nos últimos 16 anos”. E é verdade, apoiou até demais.

Lula, quando presidente, prometeu que, em 2010, o seu candidato à sucessão seria Ciro Gomes, que chegou até a transferir o título eleitoral para São Paulo, a fim de articular melhor uma postulação ao Planalto a pedido de Lula. Mas aconteceu que o PT deu a primeira rasteira em Ciro: em articulação com o então governador de Pernambuco Eduardo Campos, Lula fez com que o PSB retirasse a candidatura de Ciro para apoiar seu “poste” Dilma Rousseff. Mas Ciro foi lá e se manteve na coerência, apoiando Dilma, mesmo sabendo de seu despreparo para comandar a nação.

Já durante o primeiro mandato de Dilma, Lula reiterava, nos bastidores, que Eduardo seria o candidato em 2018, quando a presidente “terminasse” o mandato, o que não aconteceu por conta da desconfiança que Eduardo também tinha em relação ao PT. Ele lançou seu nome em 2014, mas para fortalecer para este ano, se estivesse vivo, ser candidato com mais envergadura, sem depender da “escora” na perigosa bengala petista. O que poderia acontecer com Eduardo nas eleições de 2018 seria o que aconteceu com Ciro Gomes: o PT tramar e articular para enfraquecê-lo e depois pedir apoio.

Os petistas, como se sabe, ordenados pela presidente do partido, Gleisi Hoffmann, em articulação com o ex-presidente preso, Lula, fizeram uma dobradinha com o PSB, para que o partido não apoiasse Ciro, pois assim ele seria mais forte que Haddad na corrida eleitoral: o PT retirou a candidatura de Marília Arraes para o Governo de Pernambuco e apoiou Paulo Câmara e o PSB de Minas retirou a candidatura de Márcio Lacerda, ex-prefeito de Belo Horizonte, para apoiar Fernando Pimentel.

Pois aconteceu o efeito pior para os petistas: Marília poderia ter vencido aqui em Pernambuco, Fernando Pimentel nem foi para o 2º turno em Minas e Márcio Lacerda certamente venceria a disputa no estado mineiro porque nem o PT é bem visto e nem o PSDB, de Aécio Neves. Além disso, as chances de Haddad chegar ao Planalto são pequenas hoje.

Ciro não subiu no palanque do PT e já está pensando em 2022, sem os petistas, que querem assumir o protagonismo da oposição em eventual governo Bolsonaro, mesmo sendo o mais incoerente e desleal dos partidos de centro-esquerda. Agora, os irmãos Gomes deram o troco, inesperado pelo PT, que quer sempre os outros partidos aliados como “servos” de suas trapalhadas. Combalido pela corrupção e com sede pelo poder, o PT é o maior responsável pelo sucesso de Bolsonaro nessa eleição. “Tem que fazer um mea culpa, tem que pedir desculpas, tem que ter humildade de reconhecer que fizeram muita besteira”, disse, corretamente, o senador eleito pelo Ceará, Cid Gomes. Na frente dos petistas. Com coragem e para reflexão.



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